Patrimônio de Nuzman aumentou 457%

E-mails revelam que os dois intermediavam pagamentos para manipular votação

Por GUSTAVO RIBEIRO

'Enquanto os medalhistas olímpicos buscavam o ouro em competições, dirigentes do Comitê Olímpico escondiam seu ouro em casa'. A declaração, da procuradora da República Fabiana Schneider, que integra a força-tarefa da Lava Jato, ilustra o esquema de compra de votos articulado para que o Rio fosse eleito sede olímpica e para enriquecer a organização criminosa do ex-governador Sérgio Cabral. No centro das negociações, segundo as investigações, estavam o presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman, e o ex-diretor de operações do comitê Rio 2016, Leonardo Gryner, presos ontem na segunda fase da operação Unfair Play ('jogo sujo').

E-mails obtidos pelo Ministério Público Federal revelam que Nuzman e Gryner intermediavam pagamentos a membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) que tinham poder decisório na eleição da cidade olímpica. A empresa Matlock Capital Group, de Arthur Cesar de Menezes Soares Filho, transferiu 2 milhões de dólares ao filho de um membro africano do COI dias antes da votação. As investigações concluíram que pelo menos mais 500 mil dólares foram enviados depois. Arthur é sócio de dezenas de prestadoras de serviço ao estado e está foragido desde a primeira etapa da operação, há um mês.

COBRANÇA DE DEPÓSITO

Papa Massata Diack, filho de Lamine Diack (então presidente da Associação Internacional de Federações de Atletismo e membro do COI) cobrou a Nuzman e Gryner depósitos atrasados em um dos e-mails: "Nós estamos na sexta, 11 de dezembro de 2009, e meu banco Societe General de Senegal ainda não recebeu nenhuma transferência de sua parte. Tentei falar com Leonardo Gryner, mas não houve resposta".

Em outra mensagem, Papa pede ao presidente do COB uma posição para resolver o 'problema', fazendo referência, segundo o MPF, aos acertos com africanos que participaram da votação. Dois dias antes, Papa afirmou que estava constrangido com quem chamou de 'nossos amigos'. Para os procuradores, o termo revela que o dinheiro era destinado a um grupo de pessoas.

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