Mulher não consegue fazer cirurgia porque 'já morreu'

Erro na emissão do atestado de óbito da avó prejudica a vida de Renata, que é considerada morta há quatro anos

Por GUSTAVO RIBEIRO

A ideia de vida após a morte intriga muita gente, mas poucos perderam tanto a paz (e a saúde) quanto a assistente comercial Renata de Almeida Pereira, de 38 anos. Renata descobriu que tem um cisto de 13 centímetros no abdômen, mas, para conseguir tratamento na rede pública, está sendo obrigada a provar que não morreu. A via-crúcis para ser reconhecida viva se arrasta há mais de quatro anos, desde que foi declarada morta pelo cartório no lugar da avó.

O DIA contou os primeiros capítulos da saga de Renata em 2015, quando ela descobriu que era considerada morta pelo governo ao ser impedida de sacar uma indenização. O problema surgiu porque o CPF da assistente comercial foi incluído, por engano, no registro de óbito de Áurea Teixeira de Almeida, falecida em 2013. O erro aconteceu no 8º Cartório de Registro Civil, da Tijuca.

Renata agora teme pela própria vida. Com fortes dores e inchaço abdominais, ela não consegue agendar procedimentos pelo SUS porque o sistema entende que ela é morta. Mesmo sem condições financeiras, pagou uma ultrassonografia, que diagnosticou uma massa abdominal. Na sexta-feira, buscou atendimento na Clínica da Família 28 de Setembro, em Vila Isabel, e o médico solicitou uma ressonância magnética e outra ultra. Mas, ao colocar os dados da paciente no Sisreg (Sistema Nacional de Regulação) para agendar os procedimentos, o profissional visualizou a mensagem: "O sistema não permite a solicitação de um procedimento para um paciente que possui registro de óbito".

"Com muito custo, consegui a consulta na Clínica da Família. Não posso pagar mais exames, porque não tenho dinheiro. O médico agora precisa saber a localização do cisto, mas já alertou que vou precisar operar por causa do tamanho", declarou Renata.

A assistente comercial aguarda o julgamento de um processo contra o cartório e a Sinaf Seguros, contratada para resolver os trâmites burocráticos na ocasião do falecimento de sua avó.

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