Demissão de carteiros agrava problema

Cariocas reclamam da falta de entregas em áreas em que os Correios consideram perigosa

Por FRANCISCO EDSON ALVES

Moradora da Rua Barão de Petrópolis, no Rio Comprido, há dois anos, a assistente administrativa Fátima Alves, de 49 anos, só consegue receber produtos postais no trabalho, na Rua Haddock Lobo, na Tijuca. Ou, se quiser, tem que se deslocar até a central de distribuição dos Correios mais próxima, no caso, a da Avenida Presidente Vargas, no Centro, a cinco quilômetros de casa. A justificativa da empresa é que não entrega Sedex ou PAC (encomendas econômicas) na residência dela e de outros milhares de cariocas por estarem em 'áreas de risco'.

"É uma situação constrangedora e irritante, que me deixa indignada. A Barão de Petrópolis é uma das principais e eu moro num condomínio", alegou Fátima, discordando que o trecho onde reside seja perigoso, a ponto de carteiros não poderem trabalhar. "Cheguei a deixar mercadoria voltar ao destinatário, pois acho abuso pagar frete caro e não receber o que comprei no meu endereço", lamentou.

Os Correios não revelam a quantidade de endereços impedidos por motivo de segurança. Mas admitem que as entregas de correspondências de pessoas jurídicas caíram, em 700 mil unidades, no ano passado, por este e outros motivos. Em 2016, foram 5,9 bilhões, ante 6,6 bilhões em 2015.

Conforme o DIA publicou com exclusividade em abril, estima-se que cerca de 200 mil pessoas estejam em endereços batizados de 'CEPs do Inferno', ou 'do Medo', nas zonas Norte e Oeste. Eles são privados de receber móveis, eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos.

O mecânico José da Silva, 49, que mora na Estrada do Galeão, na Ilha do Governador, também não entende porque não recebe mercadorias pelos Correios e nem por sites de vendas. "Minha área não é de risco. Uma encomenda que fiz em junho pela internet não chegou. A alegação é a violência", apontou José. A amiga dele, Juciara Belarmino, 45, também reclama. "Moro na Praça Santa Rosália, na Penha, local super movimentado, mas não recebo correspondências".

Para a aposentada Fernanda Fernandes, 71, que mora há 50 anos na Rua Piraquara, em Realengo, o extravio de mercadorias pelos Correios é comum. Neste ano, de dez compras que ela fez online, metade não chegou. "Muitas vezes prefiro pagar o triplo do frete por uma transportadora para ter certeza de que a mercadoria será entregue".

Os Correios informaram que se baseiam em mapas de risco de órgãos de segurança, como o Instituto de Segurança Pública, e que as restrições de entregas não englobam bairros inteiros, mas, sim, ruas com alto índice de assaltos. E, não necessariamente, vias com restrições estejam em áreas conflagradas por bandidos.

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Caminhão dos Correios interceptado recentemente pela PRF: alvo constante de assaltos no Rio divulgação
Há dois anos, Fátima Alves só recebe encomendas no trabalho, na Tijuca, porque os Correios não entregam em sua casa, no Rio Comprido MARCELO FERREIRA

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