Ameaça de paralisação

Unidade só atendeu casos mais graves ontem e, no sábado, 58 profissionais faltaram ao plantão

Por JONATHAN FERREIRA

Um dia após 58 funcionários do Hospital Municipal Rocha Faria, em Campo Grande, faltarem ao plantão noturno alegando falta de insumos, medicamentos e atraso de pagamento, o funcionamento da unidade de saúde, referência na Zona Oeste da cidade, continuava comprometido. Os pacientes socorridos ontem na região pelo Corpo de Bombeiros e ambulâncias do serviço SAMU eram levados para outros hospitais, como o Albert Schweitzer, em Realengo, e Pedro II, em Santa Cruz.

Quem procurou a unidade de Campo Grande por conta própria teve dificuldades em conseguir atendimento. A gestante Jéssica Gomes Viana, de 27 anos, chegou ao Rocha Faria com fortes dores abdominais por volta das 5:30 da manhã de ontem, e só conseguiu ser avaliada por uma médica às 8h40 porque, segundo ela, havia poucos médicos de plantão. "Os médicos avisaram que eu tinha que esperar pelo trabalho de parto em casa, mesmo com dor. Uma enfermeira que me deu um analgésico e me liberou. Não estou aguentando de dores", reclamou a paciente, que está grávida de 39 semanas e 5 dias. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a paciente foi reavaliada às 10h24 e 13h40 pela médica e ficou em observação "supervisionada pela enfermagem", sendo medicada conforme prescrição médica.

O pedreiro Carlos César Ferreira, de 60 anos, chegou ao Rocha Faria, às 13h30, com o braço inchado devido a acidente de trabalho e teve de esperar quase quatro horas para ser atendido. Ele já havia procurado uma UPA do bairro, mas foi direcionado para o hospital. "Quando cheguei na UPA disseram que não tinha ortopedista e que eu deveria procurar o Rocha Faria. Se eu não conseguir aqui, terei de voltar para casa com dor, pois não tenho dinheiro para procurar outro hospital". Segundo pacientes, funcionários faltaram ontem também em protesto contra a falta de salários e condições de trabalho.

A SMS informou apenas que, visando garantir a assistência dos pacientes internados, o Rocha Faria priorizou pacientes que chegavam por conta própria e com graves problemas de saúde. Já os pacientes com menor risco foram direcionados para outras unidades da Zona Oeste, informou o órgão. Segundo a SMS, Carlos César Ferreira recebeu atendimento às 17h20, passou por exames, foi medicado e liberado às 18h30.

O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Leoncio Feitosa, afirmou que a entidade vai vistoriar os hospitais da rede municipal para verificar a situação dos atendimentos e o estoque de insumos e medicamentos. "Recebemos a informação que não havia sequer luvas para fazer a limpeza dos pacientes".

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Placas adulteradas - Guarda Municipal vai fiscalizar. Divulgação/Prefeitura
Jéssica, grávida de 39 semanas e sentindo fortes dores, teve de esperar por três horas para ser atendida por uma médica da unidade FOTOS Marcio Mercante / Agencia O Dia
Depois de não conseguir atendimento em UPA, Carlos Cesar teve de esperar no Rocha Faria por 4 horas Marcio Mercante / Agencia O Dia

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