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Pedido do MPF foi aceito após 'ameaça velada' de ex-governador ao juiz Bretas

Por O Dia

Cabral (à esquerda) e Bretas (à dir.) durante encontro no tribunal
Cabral (à esquerda) e Bretas (à dir.) durante encontro no tribunal - Reprodução de video

Condenado a 72 anos de prisão, em apenas três dos 16 processos em que é réu, o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) vai cumprir pena em um presídio federal. A transferência atende a pedido do Ministério Público Federal (MPF) feito durante audiência na 13ª Vara Federal do Rio, quando Cabral, além de confrontar o juiz Marcelo Bretas, revelou conhecer detalhes pessoais da família do magistrado, o que foi interpretado como 'ameaça velada'. Bretas aceitou o pedido. No entanto, até a noite de ontem ainda não tinha sido definida para qual unidade Cabral será transferido, já que é o Ministério da Justiça que vai decidir.

Autor do pedido, o procurador da República Sérgio Pinel, argumentou que o réu Cabral demonstrou ter acesso a informações sigilosas, que não deveria conhecer. "O que levou o Ministério Público Federal a requerer a transferência de Sérgio Cabral foi uma afirmação no seu interrogatório de que teria obtido na prisão informações a respeito da vida da família do magistrado. Isto o MPF acha que é muito grave. A prisão não tem sido suficiente para afastar o réu de informações de fora da cadeia e levou a pedir sua transferência", explicou Pinel. Cabral está desde maio na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica.

Na mesma audiência, Cabral acusou o magistrado de querer aparecer às suas custas. "O senhor está encontrando em mim uma possibilidade de gerar uma projeção pessoal me fazendo um calvário", disse o ex-governador, que sofreu duas condenações de Bretas. Uma de 13 anos e outra de 45 anos (a terceira condenação, também de 13 anos, foi do juiz Sérgio Moro, de Curitiba). O advogado Rodrigo Roca, que defende o ex-governador, considerou a decisão arbitrária e ilegal. Roca disse que vai recorrer.

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