'Como vou criar meu filho?'

Trabalhadores foram assassinados em tentativas de assalto da noite de terça até a manhã de ontem

Por O Dia

O cabo Alan de Souza Costa Martins foi o 110º policial militar assassinado neste ano no Rio. Segundo a PM, ele reagiu a tentativa de assalto em Guadalupe, na Zona Norte
O cabo Alan de Souza Costa Martins foi o 110º policial militar assassinado neste ano no Rio. Segundo a PM, ele reagiu a tentativa de assalto em Guadalupe, na Zona Norte - Reprodução

Em menos de 12 horas, pelo menos três pessoas morreram após tentativas de assalto na Zona Norte do Rio. Às 7h30 de ontem, o porteiro Eduardo de Araújo Silva, de 26 anos, quando estava próximo de casa, no Caju, depois de sair do trabalho, em um prédio de Ipanema.

Eduardo estava em sua moto, a Honda CB 250F Twister vermelha, e foi assassinado a tiros, segundo a PM, por bandidos que teriam tentado roubar o veículo na Avenida Brasil, já na altura do Caju. Segundo a mulher do porteiro, Neliane dos Santos Silva, ele trabalhou das 19h de terça-feira até as 7h de ontem, quando ligou avisando que estava a caminho de casa.

Neliane, de 29 anos, contou que já estava no trabalho quando ficou sabendo da morte por parentes, que moram na Paraíba, que tinham visto uma reportagem. "Minha irmã ligou perguntando por ele, eu falei que deveria estar em casa. Ela perguntou se eu tinha certeza, porque viu uma reportagem sobre o acidente, e tinha o nome dele, a foto do acidente. Quando aconteceu, ele já estava quase em casa". Eles moravam no Caju, altura da passarela 4 da Brasil. O acidente foi na altura da passarela 1. "Não sabemos o que aconteceu, se ele reagiu ao assalto, nada", acrescentou Neliane.

Por volta das 21h30 de terça-feira, o PM Alan de Souza Costa Martins morreu após ser baleado em outra tentativa de assalto, na Estrada do Camboatá, em Guadalupe. Ele foi o 110º PM assassinado no estado neste ano. Segundo a corporação, o cabo, que estava de folga, foi abordado por dois suspeitos em frente ao Shopping Guadalupe. O policial reagiu ao assalto e foi atingido no olho e no pescoço.

Alan foi encaminhado à Unidade de Pronto Antendimento (UPA) de Ricardo de Albuquerque e depois levado ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo. Entretanto, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, ele já chegou morto na unidade. Um vídeo que circula nas redes mostra o policial caminhando para ser socorrido, após ter levado o tiro. Lotado no 41º BPM (Irajá), Alan era casado e estava na PM há seis anos. Ele deixou uma mulher e quatro filhos. O policial será enterrado hoje, às 13h30, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap.

As investigações estão com a Delegacia de Homicídios da Capital (DH). Segundo a Polícia Civil, uma perícia foi realizada no local e os agentes procuram testemunhas e imagens de câmeras de segurança para tentar identificar os suspeitos. Na manhã desta quarta-feira, policiais do 41º BPM realizaram operação no Morro do Juramento para tentar encontrar e prender os envolvidos na morte do cabo. Moradores relataram intensos tiroteios na comunidade desde o início do dia.

A outra vítima foi assassinada por volta das 20h40 de terça-feira, na Rua César Múzio, esquina com a Avenida Pastor Martin Luther King, em Vicente de Carvalho. Augusto Alves, de 24 anos, estava acompanhado da esposa e do filho de apenas nove meses quando foi abordado por dois homens que tentaram levar o seu carro, um JAC J3 Turin. Segundo testemunhas, ele retirava o cinto e, ao tirar o pé da embreagem, o carro arrancou e os bandidos deram dois tiros.

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Antonio ampara Karina, que viu o marido morrer Severino Silva
Neilane se desespera ao reconhecer corpo de Eduardo Luiz Ackermann / Agencia O Dia
O cabo Alan de Souza Costa Martins foi o 110º policial militar assassinado neste ano no Rio. Segundo a PM, ele reagiu a tentativa de assalto em Guadalupe, na Zona Norte Reprodução

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