Justiça Militar solta PMs

Setor de turismo propõe pacote de medidas para evitar tragédias como a morte de espanhola na Rocinha

Por Bruna Fantti

Madonna chegou escoltada por seguranças ao centro cultural Casa Amarela. Passeio da cantora, que esbanjou simpatia, durou 40 minutos
Madonna chegou escoltada por seguranças ao centro cultural Casa Amarela. Passeio da cantora, que esbanjou simpatia, durou 40 minutos - reprodução instagram

No mesmo dia em que autoridades discutem uma possível regulamentação para o turismo em favelas, a cantora Madonna passeou no Morro da Providência, somente com seguranças particulares. A Polícia Militar afirmou que só soube da presença da artista quando ela já estava no local. Ela andou em becos, posou para fotos com PMs e postou em redes sociais, provocando muitos comentários. Ontem, a Justiça Militar mandou soltar os dois policiais presos pela morte da turista espanhola na Rocinha.

Uma das propostas apresentadas por um comitê formado por autoridades da área de Turismo e de Segurança é adesivar carros com turistas para identificação. O comitê foi formado após a morte de Maria Esperanza, segunda-feira, que foi à Rocinha levada por uma agência, em carro alugado. A turista foi morta com um tiro de fuzil de um policial que teria desconfiado do carro, após supostamente o veículo furar bloqueio policial.

O primeiro encontro do grupo, que conta com representantes das polícias Civil e Militar, da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) e de órgãos municipais e estaduais de turismo, ocorreu ontem na sede da Riotur, na Cidade das Artes.

O presidente da Riotur, Marcelo Alves, defendeu a obrigatoriedade de adesivos de identificação nos veículos com turistas. "A Riotur convocou os órgãos que fazem o turismo no Rio para debater esse episódio lamentável (na Rocinha) e os próximos caminhos para minimizar fatos que só mancham a imagem da nossa cidade", explicou. O especialista em Segurança Pública Vinícius Cavalcante não aprova a identificação dos carros de turismo: "Em ambiente dominado pela criminalidade, isso é preocupante, pois os criminosos podem usar isso como um salvo-conduto frente às Forças de Segurança".

Segundo o secretário estadual de Turismo, Nilo Sérgio Felix, as agências e os transportadores que prestam serviços serão fiscalizados a fim de retirar do mercado as empresas clandestinas. A ação, que contará com profissionais do ministério e da secretaria, está prevista para 6 de novembro. Segundo a secretaria, o Rio conta com 5 mil agências e 11 mil guias.

Os dois sócios da empresa Transport Rent Service Agency, que vendeu a viagem aos espanhóis, além da guia de turismo que estava no carro e o motorista, serão indiciados pela Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat). Segundo a titular da especializada, Valéria Aragão, os envolvidos na venda do pacote e no transporte à Rocinha responderão criminalmente por fazer afirmação falsa ou omitir informação relevante sobre o serviço a ser prestado, previsto no Artigo 66 do Código de Defesa do Consumidor. "Esse ato irresponsável não pode ficar impune. A Polícia Civil busca a responsabilização criminal esperando que o Poder Judiciário acate essa questão para que isso nunca mais aconteça", afirmou.

Valéria demonstrou apoio à uma futura regulamentação. Segundo ela, no encontro, a Riotur sinalizou com a possibilidade de emitir um comunicado diário para alertar as agências de turismo sobre a situação nas comunidades. A investigadora defendeu, ainda, que as empresas comuniquem aos agentes das UPPs sobre o transporte de turistas, informando a placa do veículo.

Galeria de Fotos

Um tiro atingiu o carro em que a turista estava, matando-a na Rocinha Rafael Nascimento
Madonna chegou escoltada por seguranças ao centro cultural Casa Amarela. Passeio da cantora, que esbanjou simpatia, durou 40 minutos reprodução instagram
Após fazer fotos com PMs da UPP, Madonna posa na 'lua' da favela Reprodução Instagram

Comentários

Últimas de Rio De Janeiro