Considerações sobre o Ensino Religioso

Por O Dia

Em atenção ao artigo de Marcus Tavares (Opinião, sábado), gostaria de dar um parecer. De fato, o Estado é laico. Como isto, porém, não significa ateu, o Ensino Religioso contribui para que a religiosidade, própria do ser humano, seja encorajada nele. Uma parte dos ministros do STF pensa como o senhor e, talvez, também provavelmente como o senhor, não conhecem a realidade de uma escola pública e o que, nela, os professores de Ensino Religioso tenham a compartilhar de bom com os alunos. Sei que o senhor é professor, porém, não o é de Ensino Religioso, o que não permite que esta realidade seja de seu conhecimento. Exatamente por isto, sugiro, se for de seu interesse, ir a uma escola onde fazemos este trabalho e ouvir as próprias crianças e os jovens que fazem parte desta atividade facultativa. Não dá pra entender o porquê de tanta polêmica em torno de uma matéria facultativa. Ora, os pais têm o direito de escolher Ensino Religioso para os filhos. Aqueles que não o querem assim declaram e ponto. Não há motivo para tanta oposição em torno de algo sequer obrigatório. Alguns adultos têm mania de moldar a mente infantil à sua "imagem e semelhança", mas nem sempre se aproximam para tentar perceber se têm razão. Em minha experiência, testemunho situações que me deixam surpresa (...), como as doenças emocionais. O professor de Ensino Religioso 'encarna' uma confiança e abertura de espírito capaz de 'abraçar' certas dores dos alunos. Eu mesma vivo isto. Quem fala 'de fora' muitas vezes nem faz ideia do nosso cotidiano e de como podemos ser úteis para fazer a "ponte" entre alunos e familiares. Para finalizar, quem me dera se tantos políticos brasileiros que nos roubam no maior cinismo e frieza tivessem tido, quando jovens, aulas de Ensino Religioso e que tivessem prestado atenção a tudo que lhes tivesse sido ensinado. Lembrando: o Ensino Religioso é facultativo. Se os responsáveis por tantos deles, de livre e espontânea vontade, tivessem querido que seus filhos ouvissem falar em Deus, em amor, em justiça, é inegável que tudo seria muito diferente. Espero ter contribuído para que algo de positivo siga nestas linhas a respeito do Ensino Religioso.

Ana Lucia da Silva Mattos

Professora de Ensino Religioso pela PUC-RJ e doutoranda pela UFRJ

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