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Suor excessivo nas axilas, que causa mau cheiro, pode ser doença. Solução vai de remédio até operação

Por O Dia

Aquele cheirinho indesejado nas axilas pode ser um sinal de doença de pele. A bromidrose se instala no corpo quando há umidade gerada pelo suor excessivo, causando condições favoráveis à proliferação de fungos e bactérias. O problema, que atinge homens e mulheres, gera constrangimento e deixa até marca nas roupas, mas a boa notícia é que tem solução. Para eliminar de vez o mau cheiro há desde intervenções cirúrgicas até aplicação de produtos farmacêuticos e dermatológicos.

Segundo o médico cirurgião Ricardo Rocha, algumas pessoas têm um desequilíbrio no sistema nervoso autônomo que provoca o descontrole das glândulas sudoríparas, responsáveis pela produção do suor. Embora o fluído seja inodoro, a persistência dessa condição favorece a formação de colônias bacterianas nas áreas do corpo afetadas, o que torna o mau odor um problema crônico, agravado muitas vezes por fatores psicológicos, como a ansiedade.

"É uma daquelas questões para a qual a ciência e a medicina têm solução, mas não descobriram a causa. O problema é desencadeado por um gatilho, que não se sabe exatamente o que é. O nervosismo não faz a pessoa começar a suar acima do normal, mas faz ela não parar mais. É um ciclo vicioso", explicou.

Para resolver o distúrbio, alguns pacientes recorrem à injeção da toxina botulínica conhecida como Botox nas partes do corpo onde mais se transpira. O tratamento custa entre R$ 2,5 mil a R$ 3 mil e precisa ser feito repetido após um ano aproximadamente, pois perde o efeito à medida em que o tempo passa.

"A substância inibe a ação das glândulas e o paciente quase não transpira no lugar que fez a aplicação por mais ou menos um ano", disse o médico.

Estudante de Publicidade e Propaganda, David Mufarrej, 19 anos, sofria com o suor excessivo nas axilas e optou por fazer o tratamento com Botox há cerca de um ano. Hoje se prepara para fazer novamente o procedimento. "O que mais me incomodava era a marca nas camisas. Tudo piorava em situações que eu ficava nervoso ou ansioso. Mas o tratamento deu certo. Agora só passo desodorante dermatológico", declarou David.

O uso de talco antitranspirante, antibióticos, sabonetes e cremes antibacterianos também ajuda a solucionar o problema. Ricardo Rocha ainda recomenda banhos, reaplicação do desodorante e troca de roupa no meio do dia, para evitar que fungos e bactérias se espalhem. "Em geral, não há efeitos colaterais decorrentes desses tratamento mais convencionais, mas se houver alguma reação alérgica pontual, é possível contê-la com produtos diferenciados".

CUIDADOS NA PUBERDADE

Integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Sílvia Rodrigues destaca a incidência do mau cheiro em jovens, principalmente os que iniciam a puberdade, fase em que há alta produção de hormônios. "O problema é mais comum do que se imagina. Mas muitas vezes não é nem por causa do suor ou do estágio da vida, e sim por conta de hábitos de higiene inadequados. Tem gente que deixa de se secar bem depois do banho, por exemplo. Os fungos se aproveitam disso". Os tratamentos para adolescentes são os mesmos usados em adultos, de acordo com Sílvia.

"Pessoas que têm familiares com esse problema são propensas a desenvolvê-lo, mas nada impede que ele surja sem que haja histórico familiar", afirmou Rocha.

Os pelos podem ser os vilões no combate ao mau cheiro, pois acumulam a umidade do suor e da água do banho. Desta forma, eles se tornam um ambiente fértil para fungos e bactérias se reproduzirem. Por isso, a depilação é necessária como parte do tratamento nos casos de pessoas com grande volume de pelos no corpo. O cuidado deve ser redobrado ainda mais em regiões onde o clima combina calor e umidade, pois o ambiente favorece ainda mais o suor.

Ao contrário do que muitos pensam, a bromidrose é transmissível, pois os agentes causadores bactérias e fungospodem aderir à superfícies dos tecidos que entram em contato com a pessoa infectada.

"É importante detectar e tratar o mau cheiro porque ele pode ser passado de pessoa para pessoa, quando ocorre compartilhamento de peças de roupa, por exemplo. Se isso acontecer, a pessoa que pega também precisa se tratar com um profissional", esclareceu o médico Ricardo.

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