PARECE QUE FOI ONTEM

Por O Dia

Átila Alexandre Nunes
Átila Alexandre Nunes - Divulgação

Há exatos 322 anos, Zumbi dos Palmares foi morto por lutar contra a escravidão. De lá para cá, a Lei Áurea proibiu a prática, mas a escravidão mental persiste na cabeça de boa parte da população que ainda humilha e pretere negros do mercado de trabalho. Para o secretário estadual de Direitos Humanos, Átila Alexandre Nunes (PMDB), uma importante arma contra o racismo tem sido ignorada por escolas: "Não cumprem a lei 10.639, que obriga o ensino da cultura africana em sala de aula", afirma. Ao Informe, revelou que a pasta terá um software para identificar mensagens racistas nas redes sociais.

O DIA: O brasileiro ainda é preconceituoso?

Átila: É preconceituoso. Não tem como negar isso. Quando digo brasileiro, não estou generalizando. Mas existem diversas manifestações racistas e preconceito de um modo geral. Todo santo dia vemos surgirem muitas denúncias. Quando você analisa as populações mais vulneráveis, como a LGBT, adeptos de religião de matriz africana e as mulheres, a maior parte das pessoas que sofrem algum preconceito nessas camadas é negra. Isso demonstra um preconceito muito real no nosso país e no nosso estado. E o pior é que hoje as redes sociais potencializam esses ataques. Existem grupos de 'haters' pregando o racismo na internet.

A secretaria monitora esses ataques?

Temos um projeto da secretaria. A ideia é fazer o 'Radar do preconceito'. Sistemas que possam ter utilização no meio digital com software para identificar rapidamente manifestações racistas nas redes sociais. E assim fazer o encaminhamento para as delegacias. Isso deve ser implementado no primeiro trimestre do ano que vem.

Por que ainda há tanto preconceito no Brasil?

A meu ver, um dos motivos é o fato de a lei 10.639, que obriga o ensino de cultura africana, não ser cumprida em muitas escolas. Há dificuldade de ser implementada. Existe resistência dentro de algumas escolas, seja pela influência religiosa dessas escolas, seja pela visão pedagógica.

Qual o caminho para combater o racismo?

O desafio é cultural. Como a gente vai viver num país, numa sociedade que a gente deseja, onde as pessoas não conseguem ter um mínimo de respeito? No curto prazo, o combate à impunidade foi importante... o avanço da lei da injúria racial e racismo. Mas, no longo prazo, o caminho passa sem dúvida pela educação, conscientização e debate do tema na sociedade. Temos que desenvolver uma cultura de respeito. Há uma conversa avançada da secretaria com o Flamengo e o Botafogo. Campanhas com times de futebol para conscientizar o combate ao preconceito nos estádios.

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