Presa nos escombros

Atriz vive uma médica que ficará soterrada e lutará pela sobrevivência na minissérie 'Treze Dias Longe do Sol'

Por gabriel sobreira

Carolina Dieckmann, 39 anos, não pensa em voltar a morar no Rio de Janeiro. Residindo em Miami, nos Estados Unidos, há um ano e nove meses, com o marido, o empresário Tiago Worcman, e o filho do casal, José, 10, a atriz esteve no Brasil para lançar a minissérie 'Treze Dias Longe do Sol', de 10 episódios, que estreia na Globo em janeiro de 2018. "Não seria justa com tanta coisa maravilhosa que eu estou recebendo. Eu estou estudando, vendo o meu filho de perto, de poder estar com o meu marido, de poder cozinhar para ele, esperar ele voltar do trabalho, tanta coisa linda acontecendo, que eu não acho justo falar que quero voltar", afirma a intérprete da corajosa médica Marion.

DIA A DIA

A rotina da atriz em terra estrangeira pouco se assemelha ao cotidiano dela no Rio. Ela faz supermercado, busca o filho na escola, leva para a aula de tênis, paga as contas. "A vida americana incentiva a gente na autonomia. Coincidentemente, eu e a Fernanda (Lima, apresentadora) temos uma situação privilegiada. É importante dizer que tem muito brasileiro que tem vida muito mais difícil que a de americano. Mas lá é muito comum você ter essas coisas para fazer. Faço direto faxina em casa. Tudo. Até banho no cachorro, amor. E estou fazendo tudo com prazer. Isso é muito bom", comemora ela, que não descarta seguir carreira internacional: "Quem sabe?"

Mãe também de Davi, 18 anos, do relacionamento com o ator Marcos Frota, Carol corta um dobrado quando tem que falar pela internet com o filho primogênito, que mora no Rio. "Quem consegue falar toda hora com um adolescente no Skype (software que permite chamadas de voz e vídeo)? Se tiver uma mãe que fala toda hora com o filho adolescente por Skype, eu quero conhecer essa mãe. Quero descobrir o que ela fez. Eu não consigo", confessa a atriz, aos risos.

BOA FORMA

Segundo a loura, a vida de dona de casa e de estudante não tem dado nem tempo de ela se dedicar aos exercícios físicos. "Não estou malhando, nem fazendo crossfit. Vou para a escola todo o dia de bicicleta. Levo 25 minutos para ir e outros 25 para voltar. 50 minutos de bicicleta estou bombando", garante.

MINISSÉRIE

Na história de Elena Soárez e Luciano Moura, Marion (Carolina) é uma médica, herdeira de um centro médico em construção. Saulo (Selton Mello), engenheiro responsável pela obra, desviou o dinheiro da edificação para comprar a empresa que trabalha. Quando a doutora faz uma visita surpresa ao empreendimento, cuja entrega é sempre adiada, o imóvel entra em colapso e começa a ruir, porque depois de um temporal, a água em volume excessivo se infiltra no terreno vizinho e pressiona a parede de concreto do prédio em construção. A dupla, que já teve um breve romance mal-resolvido no passado, se une a nove pessoas soterradas na luta pela sobrevivência debaixo dos escombros.

"A gente viu teto desabando, coisas explodindo dentro do estúdio, explosão de poeira. Quando cai algo é uma onda de poeira. Isso é bem real, e assusta o barulho. Isso tudo me assustou, porque são coisas que não tinha ouvido, mas em nenhum momento tive pânico", garante ela, que tem uma fobia. "Quando estou no elevador, e ele está cheio, fico com vontade de sair, mas tenho vergonha. É um autocontrole. Eu não gosto de ficar presa, de ter essa sensação", revela.

MAQUIAGEM

Carol afirma que se divertia bastante nas sequências dela soterrada por uma razão bem especial: não tinha que usar maquiagem. "Começa por aí, já ficava feliz de manhã. Não tinha ninguém em cima de mim colocando maquiagem. Era jogar uma poeira na nossa cabeça e vai. Nunca parava uma cena porque a atriz está suando. Está suando? Segue. Toda suja, nariz sujou? Deixa. Essa parte do trabalho foi maravilhosa", vibra, com bom humor.

As gravações da minissérie levaram 50 dias. Carolina conta que saía sempre cansada, já que era um trabalho de resistência por causa das cenas de ação todos os dias. "Mas quando eu olhava a luz do dia ou da noite, sempre que eu olhava as cores, faróis, carros, pessoas, ficava ótima. Porque realmente deve ser desesperador ficar debaixo da terra", salienta.

MORTE

A atriz lembra que, durante as gravações, chegou a se colocar no lugar da personagem, como o que teria dito para os filhos caso nunca mais fosse vê-los.

"Isso já dá desespero e vontade de chorar. Tenho pavor de morrer. Não posso nem começar a pensar nisso porque fico até amuada. Mãe não pode morrer. Você tem que cuidar do seu filho, ver ele casar, ver ele ter filhos, ver ele se formar, perguntar se ele está de casaco, se ele não vai sentir frio, se ele ficou com febre. Só a mãe faz isso", diz.

Ao pensar sobre o que falaria para os filhos pela última vez, Carolina frisa que diria que os ama muito. "Só o amor é importante. Só isso que a gente leva", destaca.

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