baile do Magal

Artista completo, ele canta, dança, atua e não é só o "amante latino". E diz que a música que mais o representa é 'João Valentão', de Caymmi

Por RICARDO SCHOTT

Papel, amassado, capa, livro
Papel, amassado, capa, livro - .

Sabe qual a música preferida de Sidney Magal? 'João Valentão', de Dorival Caymmi. "Ninguém nem sequer imagina isso, é a música que mais me representa", diz, rindo, o cantor, que comemora 50 anos de carreira com o lançamento na Faixa Musical do Canal Brasil (no dia 25, às 18h) de 'Sidney Magal - Bailamos'. É a gravação do show que realizou em agosto no Espaço das Américas, em São Paulo, com convidados - e que sai em DVD em janeiro. O cantor aproveitou a festa para entregar vários segredos da sua vida na biografia 'Sidney Magal - Muito Mais Que Um Amante Latino', escrita por Bruna Ramos da Fonte (Ed. Vitale, 376 págs, R$ 49,90).

"Eu contei essa história do 'João Valentão' para a Nana Caymmi uma vez e ela: 'Magal, mas isso é uma loucura, você tem um repertório completamente diferente!' Uma vez, a Alice Caymmi chegou até a me convidar para cantar com ela, mas por problemas de agenda, não consegui", recorda o cantor.

ZONA SUL

Sidney aprendeu em família os repertórios de Dorival, Tom Jobim e de seu primo (isso mesmo, seu primo!) Vinicius de Moraes. "Minha mãe cantava essas músicas. Eu era um menino da Zona Sul, nasci no Jardim Botânico. Minha linha original era de música estrangeira, italiana, ou bossa nova. Depois é que me tornei completamente absorvido pelo popular. Eu cantei com Elizeth Cardoso, MPB-4, achava que esse seria o meu estilo", diz.

O primo em segundo grau Vinicius, recorda, morou no seu prédio. "Ele mandava uns bilhetes para o (empresário) Marcos Lázaro, pedindo: 'Dá uma ajuda aí para esse meu primo'. Mas uma vez fui pedir músicas a Vinicius e ouvi dele: 'Rapaz, com esse físico todo você vai cantar bossa nova? Você tem é que cantar um tipo de música mais popular!'", lembra, rindo.

O sucesso popular veio a partir de 1976, quando foi contratado pela Polydor (hoje Universal) e passou a ser produzido por Robert Livi. Sidney confessa que estranhou quando foi apresentado a uma música que se tornaria um de seus primeiros sucessos, 'Se Te Agarro Com Outro Te Mato'. "Até eu achava brega!", brinca o cantor. "Era uma coisa passional. Pensei: 'Como vai ser meu comportamento diante dessa música?'. Mas cantei".

NATAL EM FAMÍLIA

A relação familiar de Magal com esse tipo de som é tanta que ele lembra de um disco de 78 rpm caseiro, em que sua mãe cantava uma música de Natal com letra de Vinicius. Quem acompanhava no piano, no disco, era ninguém menos que Tom Jobim.
"Eu lembro de trechos dessa letra: 'Todas as noites eu rezo e peço a Jesus por favor/Que no Natal eu receba um sapatinho de cor/Lá fora a neve caía, sentia frio e calor'. Isso era do fim dos anos 1950. Esse disco rodou pela minha família, foi emprestado para algumas pessoas e sumiu. Nunca mais vi. Adoraria ouvir isso de novo", lembra Sidney. A VM Cultural, que cuida do legado de Vinicius de Moraes, diz não ter registro da música.

SHOW

No show do Espaço das Américas, Sidney chamou ao palco Ney Matogrosso, Alexandre Pires, Rogério Flausino (Jota Quest), Milton Guedes, o rapper Rincon Sapiência e Ana Carolina. "O show foi uma ideia do meu filho Rodrigo West, de comemorar os 50 anos de carreira. A ideia foi deixar os convidados à vontade. O Rogério Flausino me sugeriu cantarmos uma música da Rita Lee. Ana Carolina disse que adorava me imitar quando me via na TV", afirma. Os dois acabaram trazendo músicas compostas por Rita ao repertório - Ney recordou seu antigo sucesso 'Bandido Corazón' e Flausino entrou com 'Caso Sério'.

Rincón foi ideia de Rodrigo, que conhecia o trabalho do rapper. Ele acabou entrando numa inédita, 'Um Brinde A Vida'. "Foi uma união de gerações diferentes. Fiquei muito feliz", conta Sidney

LIVRO

Já a biografia de Magal vem sendo pensada e repensada desde 2012. "A ideia surgiu quando escrevi um livro sobre Roberto Menescal, que foi um dos lançadores do Magal. Liguei pro Magal para confirmar uma história. Era para termos conversado por cinco minutos e falamos duas horas!", lembra Bruna, que conversou com várias pessoas que lidaram com Magal em momentos diferentes da carreira. "Ele manteve tudo que está no livro, não se incomodou com nada".

Bruna diz que o livro mostra um artista completo, que dança, canta e atua em teatro e na TV. E que, diz o título, vai além do "amante latino" da sua canção. "Muita gente não conhece o Magal além de 'Sandra Rosa Madalena, A Cigana' e pode não dar o devido reconhecimento. Quando o Magal anunciou que o livro sairia, alguns editores me procuraram para falar sobre o livro. Mas quando o livro ia para o conselho editorial, as editoras barravam. E o Magal é um artista extremamente popular, além de ser respeitado por músicos eruditos", espanta-se Bruna.

Galeria de Fotos

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Capa da biografia 'Muito Mais Que Um Amante Latino', de Bruna Fonte Divulgação
A autora Bruna Fonte, ao lado do biografado, no lançamento em São Paulo Divulgação
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Sidney Magal comemora 50 anos de carreira Marcos Hermes/Divulgação

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