ele quer fazer a diferença

Aos 30 anos, Caio Paduan conta que entende o sofrimento do casal da ficção porque já viveu um romance interracial na adolescência

Por BRUNNA CONDINI

Caio Paduan
Caio Paduan - Crédito Danilo Borges

Vivendo o bom moço Bruno em 'O Outro Lado do Paraíso', Caio Paduan acompanha a repercussão do romance do personagem com Raquel (Erika Januza) na ruas e nas redes sociais. E diz que tem percebido mais apoio do que preconceito nos comentários. Aliás, são as manifestações amorosas que o abastecem para contar a trama que fala de preconceito racial e da superação dos obstáculos. "A história de Bruno e Raquel é de amor, tem racismo, mas é sobre amor", esclarece.

"O casal bombou de cara. As pessoas contam suas histórias, mandam fotos, falam pessoalmente, se identificam. Algumas dizem que estou contando a história delas também", completa.

No entanto, o ator relata que também já leu discursos preconceituosos a respeito do tema. "Claro que existem os haters. Já li atrocidades. Gente que disse que faria igual a minha mãe na novela, por exemplo. As pessoas confundem opinião com agressão. Não deixa de ser preconceito porque é uma opinião, entende? É racismo", reflete.

"Isso me dá dor no coração. Como alguém consegue pensar assim? No twitter, já respondi a um seguidor: 'Que pena que pensa assim, espero que a novela te ajude a rever seus valores. Amor é amor. Tem muito rancor por aí. Está difícil passar positividade para as pessoas, mas na minha timeline é isso: amor, boas histórias", conclui.

ROMPIMENTO DE 'BRUQUEL'

Apesar da torcida, e pelo andar da trama, os pombinhos não terão um final feliz tão cedo. No início da semana, Raquel e Bruno se separaram. O rapaz sentiu-se impotente de não poder dar uma vida melhor para a amada e pediu que ela o esperasse. A Mãe do Quilombo (Zezé Motta), por sua vez, desencorajou a jovem a continuar com o romance, e a mãe dele, Nádia (Eliane Giardini), praticamente o empurrará para a médica Tônia (Patrícia Elizardo).

Caio deseja ver o casal junto também, mas já espera um longo caminho até isso acontecer. "Nesta primeira parte da trama, não vai rolar como eles esperavam. Existem muitas barreiras. É muito próximo da realidade. Ela tendo que estudar e vencer na vida, e ele sendo embarreirado pelos pais. Até maio tem história", diz.

IGUALDADE

O carioca de 30 anos, que viveu na Tijuca durante a infância, revela que viveu um romance interracial na adolescência e que entende o conflito do casal da ficção, com tantos olhares discriminatórios ainda no mundo. "Era um olhar estranho para nós, crítico. O racismo é algo enraizado na nossa sociedade, mas deve ser combatido", lembra.

"Minha irmã é noiva há nove anos e meu cunhado é negro. Eles contam histórias horríveis. Como por exemplo, o fato de já terem entrado juntos em um supermercado e se separarem, e o segurança só acompanhar meu cunhado. Absurdo total", diz.

O ator faz questão de usar a visibilidade que tem como artista para colocar na roda este e outros temas importantes.

"Eu e Erica (Januza) trocamos muito sobre isso. Tenho a preocupação de não repetir um discurso, saber do que falo. Converso muito com o Junior Cabral, um amigo ator, que lidera um movimento de artistas negros em São Paulo", conta. "Tenho esse dever como artista e como privilegiado, sim, porque sei que sou um privilegiado na sociedade: homem, branco, hétero. Tenho consciência disso e devo lutar pela igualdade de todos", reflete. "É essencial falarmos disso, mesmo e principalmente em 2017. Até porque vimos vídeos vazados de conteúdo racista há pouco tempo... Enfim, é triste constatar isso num país onde a maioria da população é negra", completa.

PARCERIA É AMOR

Namorando a atriz Julia Konrad há três anos, Caio se define um cara 'família', e admite que ter a sua própria está entre os planos futuros.

"Com certeza. Sou de família italiana. Gosto de bicho, comida, bastante gente. Se acontecer, vai ser lindo. Mas vivo um dia após o outro. Conversamos sobre isso, nosso amor é lindo, de muita parceria e amizade", confessa. "O grande diferencial na nossa relação é o amor que tem a amizade junto. Tudo fica mais calmo e maduro. Ela, aliás, me acalma. Tudo era mais acelerado antes dela", diverte-se o ator, adiantando que 'juntar as escovas de dentes' acaba sendo um movimento natural. "Estamos basicamente morando juntos. Minha base ainda está em São Paulo, mas migrando para o Rio".

LEI DO RETORNO

Em sua primeira novela no horário nobre, Caio afirma que o assédio do público não o incomoda. "Aumentou, é uma novela das 21h (o último papel de Caio foi como o vilão Alex, no horário das sete, em 'Rocky Story'). Gosto de verdade quando comentam sobre a trama, os personagens, contam suas histórias, isso é muito amoroso", garante o ator, que avisa: "Só não curto quando não há educação na troca, mas o acesso das pessoas significa retorno do trabalho, todo ator sonha com isso".

Ele confessa que é adepto em sua vida da máxima da 'Lei do Retorno', inspiração da novela também. "Sou umbandista. Acredito nisso. Acredito que a energia que você emite volta na mesma vibração", comenta. "Quando comecei a estudar teatro, joguei para o universo que queria contar boas histórias. E voltou, estou vivendo isso", conta.

E o que o ator acha que a 'Lei do Retorno' vai trazer nos próximos capítulos da vida? "Desejo fazer bons personagens, séries, novelas, filmes. Personagens diferentes na complexidade humana, do mais simples ao mais complexo. Me interesso pela mente humana. Tenho fé que mais personagens assim vão vir. Já estão vindo. E fé nunca é demais, tenho muita", afirma.

Galeria de Fotos

Erika Januzza e Caio Paduan João Miguel/tvGlobo
Caio Paduan Crédito Danilo Borges
Caio Paduan Raquel Cunha Globo
Erika Januzza e Caio Paduan Crédito Globo/João Miguel
Caio Paduan Crédito Danilo Borges

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