Diretor-executivo de esportes olímpicos do clube, Emanuel Rego, de 44 anos, ainda está se adaptando à parte política do cargo

Por O Dia

Rio - Há pouco mais de dois meses como diretor-executivo de esportes olímpicos do Fluminense, Emanuel Rego, de 44 anos, ainda está se adaptando à parte política do cargo, no relacionamento com os vice-presidentes. Mas o campeão olímpico de vôlei de praia já coloca em prática o que vinha aprendendo em cursos de gestão e vislumbra o Tricolor como uma grande potência olímpica. Sob o seu comando, estão 14 modalidades, sendo 11 olímpicas, e sua ideia é aumentar a visibilidade, conseguir mais equipes adultas e tornar a área autossustentável com patrocínio forte.

Emanuel é diretor-executivo de esportes olímpicosLuiz Ackermann / Agência O Dia

O DIA: Como avalia a experiência no Fluminense?

EMANUEL: "Imaginava que era uma coisa que estava crescendo, mas não. Depois de um mês eu vi que tem mais de 500 atletas em formação, mais de 450 atletas abaixo de 25 anos. Então eu vi que é um grande potencial e que tem resultados de formação. Esbarra naquele problema: quando não se tem equipe de alto rendimento em certas modalidades os atletas vão para outros clubes".

Como manter os atletas por mais tempo?

"A grande ideia é trazer inovações para o clube. A segunda é criar uma sustentabilidade. E a terceira é melhorar o rendimento. São as três bases que tenho na cabeça para o Fluminense crescer. E também seguir o exemplo do vôlei feminino. Chegou, fez o caminho certo, iniciou na Superliga B, cresceu e agora está na série principal há dois anos. Com isso, todas as categorias femininas, desde o sub-13, são campeãs".

Como é chegar em um grande clube como o Fluminense após a preparação para ser gestor?

"Foi uma outra surpresa. Estava me preparando tranquilamente para daqui a dois anos ter essa missão. Fazendo parte do CAD, curso avançado do Comitê Olímpico do Brasil (COB) de gestão esportiva. Na minha cabeça, ia fazer os trâmites certinhos, me capacitar para fazer o cargo de gestor. Mas quando veio o convite falei que ia ter que acelerar o meu plano. Tudo que venho colocando de conhecimento desde o meu curso de formação de marketing e outros cursos eu estou utilizando. O que me dificulta são os trâmites políticos, porque era algo que não fazia como atleta. Mas estou aprendendo aos poucos".

Quais os planos para as parcerias com medalhistas olímpicos?

"Os projetos são a parte da inovação para atrair mais sócios para participar das escolinhas. A natação do clube tem trinta anos de tradição, forma vários atletas, já tem um modelo, mas a gente precisava dar mais tecnologia e informação para os pais. E isso foi a cooperação com o Gustavo Borges. O sistema dele é diferente, com vários níveis, e nós só tínhamos três. Agora são quase 10 e vamos poder acompanhar melhor a evolução dos alunos, com avaliações a cada três meses. É mais ou menos como as faixas do judô. E o pai vai poder acompanhar a evolução do filho. O Robson Caetano veio conversar conosco. Queremos trabalhar na qualidade de vida, com um trabalho mais específico para a terceira idade. Pensando no sócio e nos colaboradores. Seria um trabalho laboral. Estamos tentando montar uma ideia e ele está super aberto. Com o Flávio Canto ainda estamos conversando para ver se vamos criar uma equipe de alto rendimento ou se vai levar atletas para a escolinha. Queremos dar mais visibilidade à natação e a outras modalidades que aos poucos vamos entendendo (como funcionam). O polo aquático é outro esporte tradicional no clube, participa da liga nacional. Ele e o vôlei já estão encaminhados".

Há a possibilidade de levar o Fluminense para o vôlei de praia?

"Já houve propostas de levar o Flu para fora das Laranjeiras. Uma delas é fazer um polo de maratona aquática, por exemplo. Já falaram sobre o vôlei de praia também... A CBC (Comitê Brasileiro de Clubes) vai ter algumas competições de formação de vôlei de praia, sub-19 e sub-17. Há possibilidade também, mas vamos devagar.

É mais difícil trabalhar com um clube tão ligado ao futebol?

"Acredito que existe essa imagem do futebol, mas por outro lado é um grande potencial para a gente fomentar. É como se fosse um celeiro de talentos esperando só para a gente para semear e colher daqui a pouco. O Flu é o único clube que recebeu a Taça Olímpica. Isso aqui (a sede) é fantástico, tudo é bem articulado, preparado para os esportes olímpicos".

Em que a crise financeira afeta o seu trabalho?

"Estamos revendo todas as receitas. Tem muita receita nas escolinhas, é um grande potencial, e tentamos fazer com que mais sócios e não-sócios participem. Mas aí vem esse projeto. Primeiro vem a visibilidade, depois construir um produto bem feito e por último fazer a venda. É como se fosse um plano de marketing especial para o clube. Temos apoio da lei de incentivo, a lei de ICMS do Rio. Estamos vendo todos os potenciais de receita porque o momento é crítico".

Qual o recado para o torcedor que acha que o clube deveria investir apenas no futebol nessa crise?

"Neste momento o esporte olímpico não é autossustentável, mas ele se sustenta em muitas das suas despesas. Praticamente não pega dinheiro que seja do futebol. Somos separados. O que posso dizer é que o Fluminense é mais do que só futebol, também é esporte olímpico. E também peço para virem torcer pela gente".

Você defende as mudanças no estatuto do COB?

"Acredito que a participação tem que ser de diversos setores. Fala-se em colocar três mil atletas. Não acho o ideal. É preciso escolher um grupo que represente os atletas, engajados. Também é necessário que se tenha representantes de clubes, opinião de árbitros e fazer mais uma visão coletiva do esporte em geral. Não acredito que só os atletas vão decidir".

A prisão de Carlos Arthur Nuzman (ex-presidente do COB) manchou o esporte?

"Nós, como atletas, sempre vimos as coisas acontecerem na parte técnica. A gente nunca ficou presente nesses assuntos de gestão. Lógico que ficamos tristes. A gente viu um crescimento no esporte do Brasil de 1996 a 2016. E essa evolução dependeu muito da gestão que foi feita, ela foi bem constituída. Entre a minha primeira Olimpíada, em 1996, e a última, em 2012, o Brasil cresceu muito. Quanto à parte política, realmente foi um lapso. Infelizmente manchou essa parte".

Por que não houve tanta manifestação dos atletas em relação à prisão do Nuzman?

"Acredito que os atletas têm consciência do investimento feito para a Olimpíada de 2016. Fiz a preparação e não me faltou nada. Tive todo apoio dos técnicos, parte física, de fisioterapia, estrutura. Por isso que os atletas ficaram mais à parte, porque nunca teve uma estrutura como nesses últimos anos".

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