MP abre investigação e Seap suspende instalação de videoteca com hometheater em cadeia de Cabral

Por O Dia

Rio - A secretaria de Administração Penitenciária suspendeu a instalação de uma videoteca na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, após o Ministério Público abrir duas investigações sobre a doação dos equipamentos. O anúncio da abertura dos inquéritos foi feito ontem à tarde, após o MP tomar conhecimento da instalação de uma sala de cinema, com equipamentos doados por uma igreja evangélica, que, no entanto, negava.

Cabral disse em audiência que sabia das atividades comerciais da família ao juiz Marcelo BretasReprodução Vídeo

O DIA noticiou em primeira mão que o ex-secretário de Governo, Wilson Carlos Carvalho, condenado a 45 anos de prisão, iria trabalhar na sala, selecionando filmes, para abater dias de sua pena. A cada três dias assistindo a um dos 160 DVDs disponíveis e cuidando do local, ele teria remição de uma diária na prisão.

Um dos inquéritos da 24ª Promotoria do MP é sobre a compra de uma televisão de 65 polegadas, ao custou R$ 7,5 mil na Barra da Tijuca. Segundo a Seap, a igreja entregou uma nota fiscal no nome de Eliana Nogueira do Carmo, 38 anos, moradora de Copacabana. Procurada, por telefone, Eliana disse “que não comprou a televisão” e que “não sabia do uso do seu nome para a compra”.

A investigação irá apurar se foi o próprio Wilson Carlos quem comprou o televisor. A outra investigação dos promotores teve origem após as reportagens realizadas. Em nota, a assessoria do MP disse, ontem à tarde, que “foram extraídas cópias das notícias veiculadas para envio e análise pela Promotoria de Justiça com atribuição na área de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania da Capital de eventuais atos de improbidade administrativa”.

Horas antes da instauração dos inquéritos do Ministério Público, a Seap chegou a divulgar um termo de doação assinado por um pastor e duas missionárias. As igrejas afirmaram que as pessoas citadas no termo não possuem autorização para os atos de doação.

Após a negativa das igrejas e do anúncio das investigações do Ministério Público, a Seap informou que “infelizmente vai suspender qualquer tipo de doação feita por entidades religiosas para unidades prisionais” no Estado.

Na nota em que anuncia o fim da cinemateca, a Seap disse que “é fi scalizada pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário” e que “a Seap recebe sempre doações de entidades religiosas cadastradas previamente por esta pasta”. “Tais doações somente são recebidas mediante termo de doação assinado pelos doadores e com as referidas notas fiscais dos produtos doados”. A pasta não informou se irá retirar as outras quatro cinematecas instaladas em presídios.  

STF mantém ex-governador em Benfica

Seap mostra documento de supostos doadores da videotecaDivulgação

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu ontem a transferência do ex-governador Sérgio Cabral para presídio em Campos Grande (MS). A decisão de mandar Cabral para a penitenciária federal foi tomada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, do Rio, na segunda-feira, 23, após pedido do Ministério Público Federal.

Em 23 de outubro, em audiência em ação penal na qual é réu por lavagem de dinheiro por meio da compra de joias, o ex-governador insurgiu-se contra o juiz Bretas, dizendo que tinha informações sobre atividades da família do magistrado como vendedores de bijuterias.

“É no mínimo suspeito e inusitado o acusado, que não só responde a esta processo como outros, venha aqui trazer em juízo informações sobre a rotina da família do magistrado. Além de causar espécie, como bem observou o MPF, de que apesar de toda a rigidez ele tenha se privilegiado de informações que talvez ele não devesse”, disse Bretas durante a audiência.

A ordem de Bretas já havia sido confirmada pelo desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal.

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