Soldado norte-coreano deserta e leva chuva de balas

Militar foi internado em estado grave na Coreia do Sul. Regime de Kim Jong-un volta a fazer ameaças de 'guerra nuclear' à ONU

Por O Dia

Barricada do lado sul-coreano perto da Zona Desmilitarizada
Barricada do lado sul-coreano perto da Zona Desmilitarizada - AFP/JUNG Yeon-Je

Um soldado da Coreia do Norte foi baleado seis vezes por seus colegas militares ao tentar fugir para a Coreia do Sul ontem, na Área de Segurança Comum, fronteira entre os dois países. Na fuga, quatro soldados norte-coreanos dispararam 40 vezes.

O Comando das Nações Unidas (UNC) dirigido pelos Estados Unidos, que monitora o povoado de fronteira de Panmunjom, revelou que o soldado utilizou um jipe militar, mas abandonou o veículo quando uma das rodas ficou presa numa vala. A ocorrência é a primeira na Área de Segurança em mais de 30 anos. "Assim que desceu do veículo, correu, atravessando a fronteira, enquanto outros soldados atiravam da Coreia do Norte", informou o UNC.

O militar está sendo tratado em um hospital sul-coreano e já passou por cirurgia. O médico Lee Guk-jong descreveu a situação do paciente como "muito perigosa" e disse que os próximos 10 dias serão cruciais para sua recuperação. Sua identidade e a razão para deserção não foram divulgadas.

Cerca de 30 mil norte-coreanos fugiram para a Coreia do Sul, a maioria via China, desde o fim da Guerra da Coreia, em 1953. O incidente ocorre em um momento de grande animosidade entre os dois países devido ao programa nuclear norte-coreano, que realizou seis provas nucleares e testou diversos mísseis balísticos nos últimos meses.

Ontem, a Coreia do Norte também alertou as Nações Unidas de que a presença de três porta-aviões americanos em manobras conjuntas com a Marinha sul-coreana alimentam a tensão e podem levar a uma guerra nuclear. O embaixador da Coreia do Norte junto à ONU, Ja Song-nam, enviou carta ao secretário-geral da organização, António Guterres, alertando para "a pior situação em torno da península da Coreia".

Segundo o diplomata, o primeiro envio de três porta-aviões à região desde 2007 "está tornando impossível prever a deflagração de uma guerra nuclear devido à postura de ataque dos EUA. Os exercícios de guerra nuclear em grande escala e as chantagens nos permitem concluir que a opção que tomamos é a correta e que devemos prosseguir por este caminho até o final", alertou.

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