Por O Dia

No fim de semana viralizou vídeo que mostra a venda de migrantes como escravos na Líbia. Nas imagens, divulgadas pela CNN, homens negros são apresentados em um aparente leilão a compradores do norte da África como mão de obra.

"Oitocentos dinares! Mil dinares! Mil e cem dinares! Quem dá mais?", berra o leiloeiro. Dois jovens não identificados, "meninos grandes e fortes para trabalhar em fazenda", foram vendidos por 1.200 dinares, cerca de R$ 2.600, R$ 1.300 cada um.

A situação desumana provocou onda de indignação mundial e reação de líderes africanos. O primeiro-ministro-adjunto da Líbia, Ahmed Metig, disse que o governo investigará o caso. O presidente guineano Alpha Condé se referiu às imagens como "comércio depreciável de outra era".

António Guterres, secretário-geral da ONU, garantiu que esse mercado precisa ser investigado como crime contra a humanidade. "A escravidão não tem cabimento em nosso mundo, e essas ações estão entre os mais atrozes abusos de direitos humanos e podem constituir crimes contra a humanidade", declarou.

A Líbia, país no noroeste da África imerso no caos, se tornou ponto de passagem para migrantes que tentam chegar à Europa pelo Mediterrâneo. Muitos foram vítimas dos traficantes de seres humanos.

Segundo ONGs e analistas, a situação dos milhares de migrantes africanos estuprados, torturados e escravizados era conhecida há tempos. "Hipocrisia", denunciou Hamidou Anne, ex-conselheiro do Ministério das Relações Exteriores e da Cultura do Senegal e ativista. "Com exceção do cidadão comum, todo mundo sabia, os governantes, as organizações internacionais, os líderes políticos" sobre a Líbia.

Desde abril, a Organização Internacional para as Migrações informava sobre "mercados de escravos". "Viram mercadorias para comprar, vender e jogar fora quando já não valem mais nada", comentou Leonard Doyle, porta-voz.

 

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