Impasse sobre ultimato a Kim

Estados Unidos pedem corte de petróleo e mais isolamento, mas Rússia e China hesitam

Por O Dia

Populares em Pyongyang comemoram o lançamento do míssil intercontinental Hwasong-15, terça-feira
Populares em Pyongyang comemoram o lançamento do míssil intercontinental Hwasong-15, terça-feira - AFP/KCNA VIA KNS

Os Estados Unidos lutavam ontem para manter o apoio internacional ante a ameaça nuclear da Coreia do Norte, mas encontraram os velhos obstáculos de sempre. A Rússia advertiu que as sanções contra Pyongyang fracassaram e a China fugiu de um diálogo sobre o embargo petroleiro. Washington elevara o tom e garantira que a Coreia do Norte seria destruída se insistisse nas ameaças.

O novo teste é sinal de que os esforços do governo americano para isolar o líder Kim Jong-un, atingir sua economia e forçá-lo a negociar fracassaram. Também pôs fim a dois meses de 'trégua'. Washington respondeu pedindo sanções mais duras contra Pyongyang em reunião do Conselho de Segurança na quarta-feira.

Ontem, o presidente Donald Trump começou a se queixar da China. "O enviado chinês, que acaba de voltar da Coreia do Norte, parece não ter tido nenhum impacto no 'pequeno homem-míssil'", tuitou o presidente, fazendo alusão a Kim, a quem também chamou de "cachorro doente" e ameaçou com novas sanções.

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, quer estrangulá-lo com combustíveis. "Acredito que os chineses estejam fazendo muito, mas também achamos que podem fazer mais com o petróleo. Realmente pedimos que cortem o fornecimento de petróleo à Coreia do Norte", disse.

Mas o Ministério das Relações Exteriores da China se limitou a dizer que Pequim acata as resoluções da ONU e apoia a desnuclearização da península coreana. A China apoiou série de sanções que incluem a proibição das importações de carvão, de ferro e de pescado norte-coreanos. A ONU também proibiu a contratação de trabalhadores norte-coreanos e limitou as exportações de refinados de petróleo. Negou-se, porém, a fechar o oleoduto que envia petróleo para a Coreia do Norte.

Pequim teme que a adoção de medidas mais duras faça o regime norte-coreano entrar em colapso, deflagrar uma crise de refugiados em sua fronteira e elimine uma barreira estratégica que separa a China do Exército americano na Coreia do Sul.

Rússia critica estratégia

Na ONU, a embaixadora Nikki Haley elevou o tom contra a Coreia do Norte no Conselho de Segurança. "O ditador fez uma escolha que coloca o mundo mais perto de uma guerra", atacou. "Em caso de guerra, não se enganem: o regime da Coreia do Norte será totalmente destruído."

Mas seu chamado às nações para "cortar todos os laços com a Coreia do Norte" foi rejeitado ontem pelo ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov. "Em várias ocasiões destacamos que a pressão das sanções se esgotou e que as resoluções que impuseram as sanções implicavam necessariamente retomar um processo político e as negociações", declarou Lavrov. "As recentes ações dos Estados Unidos parecem ter sido dirigidas deliberadamente para provocar ações bruscas de Pyongyang", emendou.

Kim disse que o teste do sistema de mísseis Hwasong-15 ajudou seu país a alcançar a meta de se tornar uma potência nuclear, o que lhe valeu uma condenação a nível global. A Coreia do Norte insiste que suas armas convencionais e nucleares buscam dissuadir todo ataque contra seu país.

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