Fim de ano, tempo de descobertas

Por Marcus Tavares Professor e jornalista

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Fim de período de semestre, de ano letivo. Só professores realmente sabem a quantidade de trabalhos, projetos, textos e provas que temos à frente para avaliar, analisar e corrigir. Fazer revisões, postar notas. É uma maratona. Tarefa que invade e ultrapassa muitas, e na maioria das vezes, o tempo da sala de aula, do dia a dia, do fim de semana, do tempo livre que temos e que não temos. É verdade: bate um desespero de não dar conta. Um período um tanto tenso.

É um momento em que somos colocados à frente de uma gama de pedidos e solicitações por parte dos estudantes (e de pais!): nota, abono de falta, recuperação. Desvencilhar-se dessas etapas não é tão simples quanto possa parecer. Requer bastante ética, princípios, discernimento e responsabilidade. O que muitos estudantes ainda não entenderam que não é o professor e ou a instituição que reprova, mas de certa forma o próprio aluno. Afinal, há regras, procedimentos e instâncias. Há um 'contrato pedagógico' que foi estabelecido e proposto pela instituição e entre professores e estudantes. Pronto, alguém vai falar que a escola tem de repensar suas metodologias conservadoras e ultrapassadas. Que o modelo de ensino de hoje está defasado. Em certos casos, concordo. Mas o que trago aqui são questões mínimas que devem ser respeitadas, pois valem para todos.

Bem, também é um período em que você faz autoavaliações do seu programa de curso e da sua metodologia. Você avalia que é preciso mudar aqui e ali. Que aquela estratégia, que antes funcionava, não se aplica mais. Que é preciso rever algo, se atualizar em determinados temas, buscar, talvez, novas inspirações. Você se cobra e promete mudar no próximo ano. E muda, avalia, (re)avalia e muda de novo. Uma constante sem fim.

Mas, sim, confesso que também é uma fase de descobertas. E de boas descobertas. De ver que os estudantes alcançaram por seus, e nossos méritos, alguns e bons objetivos traçados anteriormente. Dá uma sensação de que estamos, de alguma forma, fazendo alguma diferença na vida deles (quem sabe, em determinados contextos, a total diferença). Não me refiro apenas aos conteúdos e conhecimentos que mediamos no dia a dia da sala de aula. Falo também dos valores e das reflexões que ficam e saem das entrelinhas do convívio entre professor e estudante. A escola ainda é (e deveria ser sempre) um espaço de diálogo, de trocas de saberes e experiências. De reflexões, de debates.

Se você leciona nas etapas finais da Educação Básica ou Superior, é muito gratificante pode acompanhar o desfecho de uma dessas fases. Conferir o amadurecimento, a confiança, o empoderamento dos estudantes. Você curte e vibra junto com eles e, muitas vezes, com as famílias que, em certos casos, se desdobram para oferecer e garantir as melhores condições de estudo e qualificação. É de tirar o chapéu em alguns casos. São surpreendentes os trabalhos de conclusão do 9º ano do Ensino Fundamental, do Ensino Médio e do Ensino Superior. Ainda há toda uma simbologia. É uma fase bem extenuante, mas inesquecível para todos os envolvidos. O frio na barriga, a ansiedade e o nervosismo ainda são velhos e bons conhecidos.

Ao fim, os dias passam e você, professor, acaba dando conta. Mas nada de descanso. Professor é um profissional que sempre está 'devendo' alguma coisa: uma devolutiva ao estudante, um artigo, um texto, uma indicação, uma leitura. Sem falar na pilha de jornal, de sites, de filmes, dos posts e comentários das redes sociais.

A lista nunca acaba.

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Marcus Tavares, colunista do DIA Divulgação

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