Delegado na mira da corregedoria

Órgão apura o que o policial da DP do Alemão foi fazer em Itatiaia, onde R$ 841 mil em dinheiro vivo foram apreendidos

Por RAFAEL NASCIMENTO

Tudo começou com apreensão de R$ 841 mil pela PRF num carro
Tudo começou com apreensão de R$ 841 mil pela PRF num carro - DIVULGAÇÃO/PRF

O delegado José Mário Salomão Omena, titular da 45ª DP (Complexo do Alemão), foi convocado pela Corregedoria da Polícia Civil à prestar depoimento na próxima terça-feira. O policial terá que dar explicações sobre o motivo que o levou a pegar um helicóptero em um aeroporto do Rio e seguir junto do advogado Ricardo Gontijo Buzelin até a delegacia de Itatiaia (99ª DP), na divisa com São Paulo. A suspeita é de que ele tenha auxiliado o advogado na tentativa de liberar R$ 841 mil reais, em dinheiro vivo, encontrados em um carro por agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

O dinheiro, segundo o depoimento dos homens que estavam no veículo, teria como destino uma empresa chinesa no porto de Itaguaí. A corregedoria quer explicações de Omena sobre o motivo de o policial estar ao lado do advogado e se de fato ele poderia estar lá naquele horário. Além disso, a corregedoria vai investigar se Omena é sócio-proprietário de uma empresa de segurança, em Piedade, na Zona Norte.

Tudo começou, na manhã da última quanta-feira, quando a PRF parou um Corsa Sedan, no KM 318 da BR 116, em operação de rotina. No veículo estava o motorista Jorge Bernardino da Silva, de 43 anos, e o passageiro o policial militar de São Paulo Pedro Henrique da Silva Costa, de 26. Ao revistarem o porta-malas do carro, os agentes descobriram uma caixa de papelão contendo vários maços de notas de R$ 100 e R$ 50. O PM afirmou que havia R$ 200 mil que pertenciam a um chinês da Rua 25 de março, no Centro da capital paulista, e seriam para o pagamento de um carregamento que estaria em um contêiner em Itaguaí. Ainda de acordo com o militar, ele estava escoltando a remessa.

Durante os depoimentos dos dois na 99ª DP, um helicóptero da empresa Ultra Pilot Escola de Aviação Civil, da Barra da Tijuca, pousou ao lado da delegacia, com três pessoas: José Omena, Ricardo Buzelin e um piloto. No local, Buzelin apresentou-se como defensor da empresa FF Assessoria e Consultoria Empresarial Eireli, que, segundo ele, era a dona da quantia encontrada e não tinha ligação com chineses. O advogado apresentou nota fiscal no valor de R$ 855 mil reais. Porém, durante a contagem do dinheiro os policiais verificaram que havia R$ 841 mil. Devido à divergência, o dinheiro ficou retido e foi depositado, ontem, em conta judicial até que seja comprovada a origem.

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