Megaoperação reúne milhares de militares mas não apreende fuzis

Forças de segurança prendem oito, mas líder do tráfico no Complexo do Salgueiro não foi encontrado

Por JONATHAN FERREIRA

Militares retiraram barricadas pontiagudas com botijões nas pontas que impediam a passagem da polícia
Militares retiraram barricadas pontiagudas com botijões nas pontas que impediam a passagem da polícia - Severino Silva

As polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviária Federal realizaram ontem mais uma megaoperação em conjunto com as Forças Armadas e Força Nacional a fim de localizar e prender criminosos que atuam no Complexo do Salgueiro e na comunidade Anaia, em São Gonçalo. Pelo menos 3,5 mil militares do Exército, Marinha e Aeronáutica realizaram o cerco nas favelas, que contou com 24 blindados e 18 embarcações. Nenhum fuzil foi apreendido e Thomaz Jhayson Vieira Gomes, conhecido como o 2N do Salgueiro, um dos principais procurados na ação e apontado pela polícia como chefe do tráfico na região, não foi localizado.

Oito suspeitos foram presos e um menor apreendido. Foram recuperados seis carros, quatro caminhões e três motos, além de munição, material para endolação de entorpecentes e grande quantidade de drogas, segundo a Secretaria Estadual de Segurança. Uma Mercedes vermelha, que pertenceria a 2N e está avaliada em R$ 200 mil, foi apreendida.

Dois agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foram baleados, sem gravidade, e um terceiro teve uma queda da motocicleta, sem ferimentos. O deslocamento dos militares começou por volta das 3h e chegou a fechar a Ponte Rio-Niterói por alguns instantes. O cerco foi encerrado às 16h. Segundo a PM, devido à operação nas favelas, quatro criminosos do Complexo do Salgueiro fugiram de barco para a Ilha de Paquetá. De acordo com a corporação, eles saíram de Itaoca, em São Gonçalo, e teriam se escondido na localidade conhecida como Cocheira. Lá, eles trocaram tiros com PMs e um suspeito foi preso. Os outros três comparsas fugiram.

FUGA PARA PAQUETÁ

O porta-voz do Comando Militar do Leste (CML), coronel Roberto Itamar, descartou a possibilidade de os bandidos terem furado o cerco da Marinha. "A informação que recebemos é que os bandidos saíram do Salgueiro para Paquetá antes do amanhecer, e quando tentaram voltar para São Gonçalo encontraram os militares e fugiram de volta para Paquetá. Era impossível passar pelo cerco da Marinha."

Para o coronel Itamar, a operação foi um sucesso. "Só o fato de os policiais conseguirem entrar em uma rua em que o estado não tinha aceso, é uma vitória muito grande", ressaltou o coronel, lembrando que os militares removeram barreiras do tráfico. Ainda segundo o coronel Itamar, não houve troca de tiros entre os militares e traficantes.

A PRF informou que os dois agentes foram baleados no pé. Os agentes haviam recebido a informação de que bandidos do Complexo do Salgueiro estariam armados na Niterói-Manilha, perto do pedágio, e foram recebidos a tiros. Os criminosos fugiram.

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Os militares revistaram moradores da região do Complexo do Salgueiro e oito pessoas foram presas Severino Silva
Mega operação com apoio das Forças Armadas no Comjunto de Favelas do Salgueiro e Jardim Catarino em São Gonçalo Severino Silvos Agencia ODia Severino Silva
Militares da Marinha fizeram cerco às praias da Baía de Guanabara, ao redor do Complexo do Salgueiro Severino Silva
Militares retiraram barricadas pontiagudas com botijões nas pontas que impediam a passagem da polícia Severino Silva

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