Resquícios da Linha 4 pelo caminho

Um terço das estruturas gigantes de concreto produzidas para a obra continuam na Leopoldina

Por O Dia

No terreno atrás da Estação da Leopoldina  existem cerca de 800 aduelas da Linha 4. Consórcio diz que serão usadas quando obras até a Estação Gávea forem retomadas
No terreno atrás da Estação da Leopoldina existem cerca de 800 aduelas da Linha 4. Consórcio diz que serão usadas quando obras até a Estação Gávea forem retomadas - Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

Quase um terço das gigantescas estruturas de concreto chamadas aduelas, construídas para a Linha 4 do metrô, continuam sem uso após mais de um ano da entrega das obras para a Olimpíada de 2016. Quem passa pelo Viaduto do Gasômetro pode observar as cerca de 800 peças espalhadas ao ar livre em um terreno atrás da Estação da Leopoldina. A responsável é a Concessionária Rio Barra, formada pelas construtoras Queiroz Galvão, Odebrecht e Carioca Engenharia todas citadas na Operação Lava Jato. O consórcio aguarda a retomada das obras de conclusão do túnel que liga o Alto Leblon à Estação Gávea ainda inacabada para utilizar as estruturas que formam os anéis dos túneis do metrô que têm mais de 10 metros de diâmetro. Ao todo, 2.574 peças foram produzidas no canteiro para as obras da Linha 4.

Outro equipamento parado é o Tatuzão, que perfura os túneis do metrô. A máquina tem custo de manutenção mensal de quase R$ 3 milhões. Ela está estacionada no subterrâneo do Alto Leblon e também espera a recuperação das obras para realizar as escavações da sexta e última estação da Linha 4, localizada no campus da PUC-Rio, na Gávea. A estimativa de movimento na Estação Gávea era de 20 mil passageiros por dia.

Dinheiro Parado

Na avaliação do professor José Eugênio Leal, do Departamento de Engenharia Industrial do CTC/PUC-Rio, as aduelas estocadas no canteiro de obras da Leopoldina constituem "dinheiro parado". "O valor gasto nesses conjuntos poderia ser destinado a outras obras", esclarece. Ainda de acordo com o professor, o Tatuzão foi desenhado para escavar os caminhos do metrô, mas é possível empregá-lo em outros tipos de instalações de túneis.

As obras da estação da Gávea atingiram apenas 42% do total e estão bloqueadas desde o fim de 2016 pelo Tribunal de Contas do Estado, que suspendeu o repasse de verba do governo do estado à Concessionária Rio Barra após denúncias de irregularidades nos contratos com o consórcio.

A Linha 4, inicialmente orçada em R$ 5,4 bilhões, teve custo final de R$ 10,4 bilhões, com suspeita de superfaturamento de R$ 2,3 bilhões. Inicialmente, em março de 2015, o governo havia interrompido as obras por falta de recursos. Dessa forma, não conseguiu concluir as instalações no primeiro prazo, estipulado para julho de 2016.

Um ano e quatro meses depois já foram quatro alterações no cronograma. A última delas previa o término para janeiro de 2018, mas a promessa será outra vez descumprida. Caso as obras sejam retomadas no início de 2018, a Estação Gávea só estaria pronta em meados de 2019, uma vez que o tempo estimado para construção é de 18 meses.

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