Estudante e lutador são presos por morte de mulher

Polícia investiga se motivação do crime foi para tirar moradora de rua de Copacabana

Por O Dia

Dois jovens foram presos na noite de terça-feira, suspeitos de matar uma moradora de rua em Copacabana. A polícia investiga se Cláudio José Silva, de 37 anos e Rodrigo Gomes Rodrigues, de 28 anos, descobertos a partir de imagens de câmeras de segurança, teriam cometido o crime para retirar mendigos das ruas do bairro.

Conhecida pelo jeito de andar pelas ruas, sempre carregando nos ombros sacolas e objetos que ganhava, Fernanda Rodrigues dos Santos, de 40 anos, morreu em setembro, enquanto dormia debaixo do viaduto na Avenida Nossa Senhora de Copacabana.

O delegado da Divisão de Homícidios, responsável pelo caso, Daniel Rosa, afirmou que, de acordo com o depoimentos, o crime aconteceu minutos depois de um bate-boca com outro morador de rua, que havia atirado uma lata de cerveja neles. "Exaltado, Rodrigo foi até a casa de Cláudio, onde pegou a arma de fogo e retornou até o local da discussão, fazendo os disparos na pedinte, que dormia, envolta em cobertores e papelões", declarou o delegado. O morador de rua com quem havia discutido já não estaria no local.

Os dois suspeitos são moradores de classe média no bairro. Cláudio é lutador de MMA. Já Rodrigo, está no 10° período da faculdade de Medicina. Na residência de Cláudio, onde foram presos, 142g de cocaína, 96g de crack, 10g de maconha, as roupas usadas no dia do assassinato e uma balança de precisão foram apreendidos. O lutador, que vai responder por homicídio e tráfico de drogas, foi encaminhado no início da tarde de ontem, para o Complexo de Gericinó, em Bangu.

O delegado considera o crime bárbaro e covarde, e não descarta a possibilidade de que os autores façam parte de grupos justiceiros: "Eles podem, sem dúvida, integrar grupos radicais que buscam executar uma 'limpeza social'", apontou Rosa.

Outros casos impactantes, com o mesmo perfil, chamaram a atenção na Zona Sul. Em 2014, um adolescente de 15 anos foi torturado e preso nu a um poste, com tranca de bicicleta no pescoço, no Aterro do Flamengo. Na ocasião, os agressores usaram tacos de beisebol e correntes.

No ano seguinte, um grupo fez uma blitz em um ônibus que circulava na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, mesma rua em que a moradora de rua Fernanda foi assassinada. Os agressores retiraram menores de idade que seguiam para favelas da Zona Norte e os espancaram no asfalto.

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