A pesca resiste

Primeira colônia de pescadores da Guanabara sobrevive mesmo com a redução de profissionais e desordem nas águas

Por ANGÉLICA FERNANDES

O comerciante Paulo Roberto Lemos, da Rua dos Lustres, lamenta a atual fama que o bairro ganhou com a chegada dos novos 'moradores'
O comerciante Paulo Roberto Lemos, da Rua dos Lustres, lamenta a atual fama que o bairro ganhou com a chegada dos novos 'moradores' - Daniel Castelo Branco

Em 1932, nascia a primeira colônia de pescadores da Baía de Guanabara. As histórias, preservadas até hoje, deram forma a um grupo que resiste bravamente pelas águas das ilhas do Governador e Paquetá. Com rede, tarrafa ou linha de mão, de barco a remo ou a motor, os 50 pescadores da Colônia Z-10 Almirante Pereira Gomes Pereira, saem todos os dias em busca de peixes e crustáceos. Na época de maré boa, como acontece sempre no fim do ano, a pescaria rende diariamente cerca de 50 quilos de peixe e 250 quilos de camarão. Esse saldo, no entanto, é ínfimo se comparado a anos atrás, quando a colônia tinha o triplo de profissionais e um ambiente mais favorável nas águas.

Que a poluição atrapalha o trabalho dos pescadores artesanais, isso não é novidade. Com o lixo e a oxigenação cada vez mais precária das águas, os peixes tendem a se afastar dos locais de exploração da pesca. Mas nos últimos anos, a dificuldade do trabalho ganhou mais um capítulo: a invasão de embarcações e pescadores ilegais. "Estão levando nossa esperança daqui. Nossos pescadores são artesanais e não conseguem competir com barcos e artigos modernos de pesca", lamentou o presidente da colônia Z-10, Wilson Rodrigues, de 55 anos. Há dois anos ele assumiu a direção da unidade e, mesmo com as adversidades, tenta tocar os projetos. A reativação da escola de pesca é um deles. "Busco iniciativa privada para poder reformar o espaço, que já formou diversos pescadores em confecção de rede e conhecimento de embarcações e marés", completou Wilson.

A colônia afirma que já fez diversas denúncias ao Ibama para fiscalização em sua área de atuação, nas ilhas do Governador e Paquetá. Em nota, o órgão alega que não teve registros recentes de denúncias no local e reforça que os pedidos devem ser feitos pela Ouvidoria (3077-4291) ou pela Linha Verde (0800-618080). O Ibama esclarece ainda que, neste ano, foram emitidos 159 autos de infração em todo litoral do estado, o que somam R$ 65 milhões às embarcações irregulares. O Inea não se pronunciou sobre o caso até o fechamento desta edição. Atualmente, 2 mil famílias vivem diretamente da pesca na Guanabara. Em toda extensão da Baía, as 15 comunidades pesqueiras sendo 10 associações produzem, em média, 6 mil toneladas anuais, o que representa 30% de toda pesca no estado do Rio.

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O comerciante Paulo Roberto Lemos, da Rua dos Lustres, lamenta a atual fama que o bairro ganhou com a chegada dos novos 'moradores' Daniel Castelo Branco
Importante centro de abastecimento, a Cadeg também se destaca pela gastronomia Daniel Castelo Branco / Agência O Dia
21/11/2017 - Rio de Janeiro (RJ) - Especial de Meio Ambiente- Na foto: Os pescadores, Luis Antonio e Mateus, ca Colonia de Pescadores Z10, Ilha do Governador, jogam Tarrafa (rede) na saida da colonia no bairro Ribeira - Foto: Luiz Ackermann / Agencia O Dia FOTOS Luiz Ackermann
21/11/2017 - Rio de Janeiro (RJ) - Especial de Meio Ambiente- Na foto: Wilson Rodrigues, pres. da Z10 Foto: Luiz Ackermann / Agencia O Dia Luiz Ackermann / Agencia O Dia

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