Empresas de ônibus fazem paralisação na Zona Norte

Rio Ônibus informou que os funcionários da Viação Nossa Senhora de Lourdes haviam entrado em acordo com a empresa, mas, nesta manhã, alguns rodoviários impediam a saída de veículos da garagem

Por RAFAEL NASCIMENTO

Motorista Edmilson Oliveira, de 58 anos, disse que acumulou dívidas por causa do atraso dos pagamentos
Rafael Nascimento / Agência O Dia
Motorista Edmilson Oliveira, de 58 anos, disse que acumulou dívidas por causa do atraso dos pagamentos Rafael Nascimento / Agência O Dia - Rafael Nascimento / Agência O DIA

Rio - Quatro empresas de ônibus que circulam na Zona Norte fazem paralisação, nesta terça-feira. Entre as viações está a Nossa Senhora de Lourdes, que já havia parado as atividades nesta segunda. Os motoristas reclamam do parcelamento em quatro vezes do 13º salário e pedem o pagamento integral do valor.

Motorista Edmilson Oliveira, de 58 anos, disse que acumulou dívidas por causa do atraso dos pagamentos Rafael Nascimento / Agência O Dia - Rafael Nascimento / Agência O DIA
À noite, a Rio Ônibus informou que os funcionários haviam entrado em um acordo com a empresa, mas, nesta manhã, alguns rodoviários impediam a saída de veículos da garagem, na Penha.

As viações Rubanil, Madureira Candelária e Américas também suspenderam as atividades. Os funcionários pedem o pagamento dos salários, décimo terceiro, férias, vale-refeição e cesta básica, que estão atrasados há quatro meses. Eles afirmaram que só voltarão a trabalhar após as empresas quitarem todas as dívidas trabalhistas.

Representantes do Sindicato dos Motoristas e Cobradores do Rio de Janeiro (Sintraturb) foram às garagens das empresas para tentar negociar as reivindicações. "Estamos aqui para auxiliar os trabalhadores, já que eles estão buscando seus direitos. Se o empresário chegar aqui e cumprir as obrigações, pode ter certeza de que os funcionários vão retornar ao trabalho. Essas linhas são rentáveis, não existe essa de não ter dinheiro para pagar os profissionais", disse Claudinei de Souza, do Sintraturb.

A Rubanil tem apenas a linha 350 (Irajá x Passeio) e 350 funcionários. No dia 26 de outubro, o volante de um ônibus desta mesma linha quebrou e se soltou na mão do motorista, na Rua Augusto Severo, na Glória.

Assim como a Rubanil, a Américas também só possui uma linha de ônibus, que é a 665 (Pavuna x Saens Peña). A empresa reúne 300 profissionais, sendo 200 motoristas que entraram em greve. Já a Madureira Candelária tem as linhas 355 (Madureira x Praça Tiradentes), 349 (Rocha Miranda x Castelo) e 928 (Marechal Hermes).

"Impossível trabalhar nessas condições. Além de trabalhar precariamente, colocamos nossas vidas em risco. Se acontecer qualquer coisa no ônibus, a responsabilidade será nossa. Temos condições de usar um ônibus desse?", disse o motorista Adriano Henrique Araujo, de 44 anos, há dez anos na Rubanil.

O motorista Edmilson Oliveira, de 58 anos, disse que acumulou dívidas por causa do atraso dos pagamentos. "Estou com todos os meus compromissos atrasados. Devo agiota, aluguel e até a escola da minha filha de 9 anos. Não tenho como pagar as contas. Trabalhamos para receber. Não tenho dinheiro nem para comprar o meu cigarro. Como podemos trabalhar quatro meses de graça?", lamentou o profissional, que trabalha como motorista de ônibus desde os 18 anos.

A Rio Ônibus informou que 13 coletivos da Viação Nossa Senhora de Lourdes estão nas ruas e outros 133 estão prontos para entrar em operação. O órgão reforçou que a empresa e os funcionários chegaram a um acordo sobre o pagamento do 13º.

"O Consórcio Internorte notificou a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Transportes para que seja acionada a Guarda Municipal, uma vez que a maioria dos rodoviários quer voltar ao trabalho, mas está sendo impedida por uma minoria que não concorda com o acordo", disse, em nota. Segundo a Rio Ônibus, a Rubanil, América e Madureira Candelária estão em negociação com os rodoviários.

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