Rosinha Matheus foi presa no dia 22, em uma ação da Polícia Federal que investiga crimes eleitorais  - Paulo Pinheiro / Folha da Manhã
Rosinha Matheus foi presa no dia 22, em uma ação da Polícia Federal que investiga crimes eleitorais Paulo Pinheiro / Folha da Manhã
Por ADRIANA CRUZ

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) decidiu ontem, por 5 votos a zero, soltar a ex-governadora Rosinha Garotinho, presa na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica. Mas, pelo mesmo placar, a Corte manteve a prisão do ex-governador Anthony Garotinho, marido de Rosinha. Eles são acusados de integrar esquema de arrecadação de propina, com direito a braço armado e acordo político com o Partido da República (PR), para garantir eleições da legenda. O grupo JBS teria irrigado a estrutura com contrato fraudulento de R$ 3 milhões.

Rosinha não vai poder deixar o Rio. Terá que usar tornozeleira eletrônica e se recolher em casa após às 22h. "Ela trabalha na Rádio Tupi, então tem que ficar no Rio. É uma vitória porque Rosinha e Garotinho são perseguidos", afirmou o advogado do casal, Carlos Azeredo, que irá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a liberdade de Garotinho. Também pedirá a Corte superior que revogue as medidas restritivas impostas à Rosinha pelo TRE.

Em relação a Garotinho, a desembargadora Cristiane Frota alegou, em seu voto, que "as medidas cautelares diversas da prisão não se mostram suficientes para resguardar a adequada e necessária instrução criminal". Rosinha e Garotinho foram presos, dia 22, pela Polícia Federal na operação batizada de Caixa D'Água.

Oito pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Eleitoral à Justiça. Além dos mandados de prisão, foram expedidos dez de busca e apreensão para Rio e São Paulo e determinou bloqueio de bens de Garotinho, Rosinha, dos denunciados e das empresas Macro Engenharia e Ribeiro Azevedo Construções até R$ 6 milhões. Policial civil aposentado Antônio Carlos Ribeiro da Silva, o Toninho, é apontado como o braço armado do grupo que pressionava empresários a manter o caixa dois da organização criminosa. Ele é sócio da Ribeiro, que manteve contratos com a Prefeitura de Campos.

As investigações mostraram ainda que, na Prefeitura de Campos, entre 2009 e 2016, pelo menos seis empresas com contratos de R$ 976,6 milhões, quando Rosinha era prefeita, foram pressionadas a fazer doações ilegais para garantir as campanhas de Anthony Garotinho e aliados, em 2014. Até o fechamento desta edição, Rosinha ainda não tinha saído do presídio, em Benfica.

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