O manifesto dos aprisionados

Por O Dia

Como sempre fui um defensor da sociedade, servindo à Polícia Militar por 30 anos, agora na reserva, mas não morto, não me furto de, quando solicitado, ou vendo uma pessoa precisando da minha intervenção como policial, ajudar ou intervir. Pois o policial é sempre policial até morrer, e é para isto que o estado me remunera até hoje.

Não entrei para a Polícia para ser covarde nem corrupto. Passei 30 anos nesta corporação sem nunca ter cometido qualquer desvio de conduta; nunca dei tiro em ninguém nem levei, talvez, na certeza de que aquele 'Lá de Cima' me protege até hoje.

Mesmo com os meus 74 anos, continuo com o meu táxi pelas ruas da cidade. Mas não posso ficar assistindo a esta carnificina, não só com os meus companheiros, mas principalmente com este povo desprotegido do meu estado, e na verdade, em todo o país, achando que a desgraça só acontece com o vizinho. Por isto mesmo, estou tentando ser ouvido pelas pessoas honestas que desejam a paz, não só para si, mas para todos.

Quando sofremos uma simples dor de dente, todo o organismo sofre. Ficamos assistindo todos os dias no noticiário ao sofrimento das pessoas com a falta de segurança; assaltos, crimes de todas as formas, e quando estes facínoras são presos, recebem todas as benesses da tal Justiça, que só tem para eles; para o trabalhador, as mulheres, as crianças, enfim, toda a população, é o que estamos assistindo: nada é feito; as leis que estão aí protegem muito mais os bandidos.

Somente Deus pode nos proteger, mas temos que fazer a nossa parte, como nos ensinou o Cristo. Ele lamentava que: "Os filhos da treva eram mais audazes, ativos, do que os filhos do Evangelho, as pessoas de bem". É por isso que os cargos mais importante do país estão nas mãos destes corruptos; justamente pelo silêncio das pessoas de bem.

José Raimundo de Andrade

Por carta

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