Consumo consciente

Produtos naturais e suplementos que trazem benefícios ao organismo devem ser usados com orientação de médico ou nutricionista, mesmo quando não houver contraindicação

Por Camilla Muniz

Cápsulas de óleo de fígado de bacalhau. Crédito: Pixabay
Cápsulas de óleo de fígado de bacalhau. Crédito: Pixabay - divulgação

Para quem gosta de cuidar da saúde, não faltam no mercado opções de produtos naturais e suplementos que prometem uma série de benefícios ao organismo. A oferta é tão grande que a vontade de consumir tudo que o bolso puder comprar se torna tentadora. Mas o fato é que cápsulas de vitaminas, óleos de origem animal ou vegetal e chocolates com colágeno na composição, por exemplo, devem ser consumidos com cautela. Embora eles sejam vendidos livremente e não tenham contraindicações, os próprios fabricantes ressaltam que o ideal é se orientar com um médico ou um nutricionista antes da ingestão. Isso porque o risco de efeitos colaterais, como intoxicação, existe, e fatores relacionados ao estilo de vida e à genética influenciam a obtenção dos resultados desejados.

Uma das novidades nas prateleiras é o óleo de pequi, fruto típico do cerrado brasileiro. O produto é resultado de 18 anos de pesquisas da Universidade de Brasília (Unb), que descobriu seus efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes no corpo humano. Em testes com atletas, a substância se mostrou eficaz na prevenção e na redução das lesões musculares. Além disso, foram comprovadas as ações na proteção contra doenças degenerativas e cardiovasculares e no controle da pressão arterial. "O óleo de pequi é fonte de vitaminas e minerais. Todo mundo pode se beneficiar dele. A recomendação é consumir de uma a duas cápsulas por dia, mas a pessoa conseguirá resultados melhores se mantiver uma alimentação adequada e fizer outras suplementações. Por isso, é mais interessante quando há o acompanhamento de um especialista", diz a farmacêutica Romy Tokarski, CEO da RTK Indústria, detentora da marca Naiak, que comercializa o item.

BENEFÍCIOS DO ÓLEO DE AVESTRUZ

O óleo de avestruz é outra sensação do momento. Extraído da banha da ave, ele contém um mix dos ômegas 3, 6, 7 e 9, além de antioxidantes e vitaminas A e E. "O composto aumenta a imunidade, a libido e a energia. Também melhora a memória, combate inflamações silenciosas no organismo e modula os níveis de triglicerídeos, colesterol e glicose no sangue", explica o médico ortomolecular e oftalmologista José Henrique Tamburini.

Para tratamento  em casos de glaucoma, artrite, blefarite e doença de Parkinson , ele indica uma gota por quilo de peso corporal em três porções divididas ao longo do dia. Para prevenção, a quantidade cai pela metade. "Há risco de ocorrência de diarreia, o que exige a diminuição da dosagem. É sempre bom ter a orientação de um médico", completa Tamburini. Distribuído no Rio de Janeiro pela Amazon Origin, o produto também existe na versão creme, para hidratação da pele e cura de feridas.

Segundo o nutrólogo Carlos Alberto Werutsky, da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), é preciso atenção especial ao consumo de cápsulas das vitaminas A, D, E e K, que são lipossolúveis. "Elas podem se acumular no tecido adiposo e causar intoxicação", afirma. "Se a ingestão desses nutrientes é feita por meio de alimentos, por mais que a pessoa coma, ela não vai se intoxicar porque há uma interação com outros ingredientes, o que dá certa proteção. No momento em que se isola a substância, ela fica hiperconcentrada e passa a oferecer perigo", acrescenta. Para prevenir efeitos colaterais, Werutsky reforça a importância do acompanhamento de médico ou nutricionista. No caso das vitaminas hidrossolúveis, como as do complexo B, o uso indiscriminado traz risco alérgico a predisponentes ao problema.

fit cookies

Especializada na produção de doces com baixo teor de carboidratos, a Fit Cookies Rio de Janeiro oferece delícias como brigadeiro e beijinho enriquecidos com colágeno hidrolisado. Em 150 gramas do produto, há 7,5 gramas da proteína que dá firmeza à pele e é essencial à saúde das articulações. Segundo a sócia da marca, a administradora Renata Sant'Angelo Lanceiro, as receitas de todos os produtos há ainda pastas, patês e barras de proteínas e as dosagens dos ingredientes polidextrose e whey protein entram nas composições, que não têm lactose, glúten, açúcar, soja e conservantes foram definidas com a ajuda de um nutricionista. "Nossos alimentos são funcionais e sem contraindicação. Mas só quem pode dizer o quanto a pessoa pode comer é o especialista", destaca Renata.

De acordo com a nutricionista clínica e esportiva Natália Eudes, da Clínica Nutriness, o colágeno é absorvido no organismo como qualquer outra proteína. Dessa forma, ao ser metabolizado, ele é "quebrado" em vários aminoácidos, como são chamadas suas partes constituintes, que vão precisar se juntar para reconstituir a unidade proteica. A especialista afirma, no entanto, que a suplementação diária de colágeno deve ser de dez a 20 gramas para proporcionar benefícios. "Além disso, é importante que o paciente tenha uma dieta rica em proteínas como um todo. Caso contrário, o suplemento não vai alcançar o alvo e será desviado para outras funções", sublinha a doutora em Nutrição pela Universidade de São Paulo (USP).

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Cápsulas de óleo de fígado de bacalhau. Crédito: Pixabay divulgação
Óleo de pequi divulgação
Óleo de avestruz fotos divulgação
Chocolate Pixabay
Brigadeiro fit com colágeno da Fit Cookies Rio de Janeiro Divulgação

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