Dodge quer mandar Jacob Barata de volta à cadeia

Mas Gilmar Mendes, que o soltou três vezes, diz que é preciso nadar contra a corrente

Por O Dia

Gilmar se defendeu das críticas
Gilmar se defendeu das críticas - Nelson Jr./SCO/STF

Ao requerer a anulação da decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que, na quinta-feira, pela terceira vez em menos de quatro meses, mandou soltar o empresário Jacob Barata Filho, a procuradora-geral Raquel Dodge assinalou que o empresário "formou seu vasto patrimônio no caldo de cultura de corrupção instalado no Rio nos últimos anos".

"Ora, está mais do que evidenciado que apenas a segregação preventiva tem o condão de interromper a longínqua e substancial carreira criminosa do paciente (Barata)", afirma Raquel, ao defender a necessidade de Barata voltar para a cadeia.

A ofensiva de Raquel se deu por meio de agravo regimental contra a decisão monocrática de Gilmar que, a um só tempo, revogou a prisão preventiva decretada contra Barata pelo desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, e a prisão preventiva substitutiva decretada pela 7ª Vara Federal do Rio.

O "Rei do Ônibus" havia sido preso pela Operação Cadeia Velha, que investiga milionário esquema de corrupção no setor de transporte público do Rio.

A procuradora sustenta que Gilmar não tinha competência para revogar a prisão preventiva do "Rei do Ônibus" e requer a remessa do caso para o ministro Dias Toffoli, "prevento para conhecer e julgar todos os feitos, no STF, relacionados à Operação Cadeia Velha".

Um bom 'job'

Criticado por sua atuação na liberação de presos da Lava Jato, o ministro afirmou ainda que é preciso "nadar contra a corrente" da opinião pública. "Se estivermos sendo muito aplaudidos porque estamos prendendo muito, porque negamos habeas corpus, desconfiemos. Não estamos fazendo bem o nosso job [trabalho]. Quem muda de opinião de acordo com o interlocutor obviamente não será um bom juiz", ponderou.

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