Lula na Uerj: 'Não nos demos conta do que foi o golpe'

Mais cedo, Sergio Moro espezinha ex-presidente: 'Não debato com condenados'

Por O Dia

Lula esteve na Uerj sexta-feira
Lula esteve na Uerj sexta-feira - Reprodução

Um rouco ex-presidente Lula encerrou ontem à noite, na Concha Acústica da Uerj, a etapa fluminense de seu giro pelo Brasil. A um anfiteatro lotado, Lula começou falando da penúria da instituição. "Estou numa universidade que está entre as dez mais importantes do país. E eu fico sabendo que ela está caminhando para três meses de salário atrasado. Ninguém pode chamar de radical alguém que se recuse a trabalhar nessas condições."

Na sequência, o ex-presidente lamentou a crise do estado. "Não é possível que alguém ache que dá para recuperar o Rio de Janeiro sem a indústria de óleo e gás, sem a Petrobras, sem a indústria naval. E eles estão acabando com tudo isso". Lula criticou o leilão do pré-sal, que na sua visão prejudicou a Petrobras.

A Reforma Trabalhista também foi citada no discurso. "Em 1994, FHC foi eleito presidente, disse que ia acabar com a Era Vargas, mas não teve coragem de acabar com os direitos dos trabalhadores. O Temer jogou no lixo os direitos trabalhistas e ainda criou a figura do trabalho intermitente. O sujeito chega para trabalhar na segunda-feira e não sabe quanto vai ganhar", reclamou Lula. "Eu às vezes acho que estamos anestesiados. Nós não nos demos conta do que foi o golpe; do que é a retirada de direitos. O Temer retirou os direitos e rasgou a CLT", continuou. "Por que o Temer, com aprovação muito menor que a da Dilma, continua lá? O Temer não representa nada. Ele representa os interesses internacionais e do capital financeiro."

Moro alfineta

Mais cedo, também no Rio, o juiz federal Sérgio Moro disse ontem que "não debate publicamente com pessoas condenadas por crime". Ele se referia à queixa de Lula sobre a Lava Jato, "que agravou a crise no Rio". Moro participou de evento na Petrobras e falou sobre a fase turbulenta que a estatal enfrenta. "A raiz dos crimes vindos da Petrobras foi o loteamento político dos cargos executivos da empresa."

Na quarta-feira, em caravana no estado, o ex-presidente Lula insinuou a responsabilidade da operação com situação financeira do Rio. "A Lava Jato não pode fazer o que está fazendo com o Rio. Não pode, por causa de meia dúzia que eles dizem que roubou, mas ainda não provaram, causar esse prejuízo", ressaltou.

Após as afirmações de ontem de Sérgio Moro, a defesa de Lula disse que o magistrado comprometeu sua imparcialidade. "O discurso na Petrobras pode motivar o reconhecimento da sua suspeição. Em nenhum lugar do mundo seria aceitável que o juiz da causa fosse visitar uma parte para dar conselhos jurídicos a ela", avaliou o advogado do petista, Cristiano Zanin Martins.

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Moro conversa com o senador Aécio Neves em premiação em 2016 ALEX SILVA / ESTADAO

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