'Não quero ser candidato se for culpado', diz Lula

Ex-presidente se defendeu das acusações após julgamento ser marcado

Por O Dia

Ex-presidente Lula seu reuniu com catadores em Brasília ontem
Ex-presidente Lula seu reuniu com catadores em Brasília ontem - Ricardo Stuckert

Após a marcação do julgamento em segunda instância para 24 de janeiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ontem em evento em Brasília que quer ser inocentado pela Justiça para voltar a concorrer à Presidência.

"Todo santo dia fazem uma denúncia contra o Lula. Estou desafiando: me provem um pneu de bicicleta velho rasgado que eu tenha roubado. Se provarem, venho aqui e peço desculpas. Não vou aceitar ser candidato para não poder ser preso. Quero ser inocentado para ser candidato", disse.

Lula declarou que não abre mão da honra e que caráter não se vende em supermercado. "Já desmoralizaram a política, os partidos. Eu fico muito p*to que a classe política não reaja. Faço minha resistência não é por mim, não. É pelo PT."

Xingar a excelência

Condenado pelo juiz federal Sergio Moro a nove anos e seis meses por corrupção e lavagem de dinheiro em primeira instância no caso do triplex do Guarujá, o ex-presidente pediu para que os petistas ergam a cabeça para vencer a batalha diante das acusações e que há uma tentativa de impedir que o PT volte ao poder. "Nesse momento, só temos uma saída: é enfrentar de cabeça erguida. Chamou de ladrão? Tem que respondeu na hora: Vossa Excelência é a p*ta que o pariu", xingou.

Caso o Tribunal Regional Federal da 4ª Região confirme a condenação, o ex-presidente fica enquadrado na Lei da Ficha Limpa e só poderá se candidatar se tiver um efeito suspensivo. O PT já manifestou a intenção de recorrer e garantir que o nome de Lula apareça nas urnas no ano que vem. Ele é réu em outros cinco processos criminais da Lava Jato.

"A única coisa que não quero é ser condenado. Por isso vou brigar até as últimas consequências. Se apresentarem provas contra mim, eu virei numa reunião do PT para dizer que sou culpado e não vou ser candidato. Eles têm a chance. Eu só quero que eles me digam o que estão nos autos do processo", afirmou o ex-presidente.

Em sua avaliação, houve uma "pactuação diabólica" entre a Polícia Federal, imprensa, Ministério Público e o Judiciário. "Se esse país não voltar à normalidade e as instituições não voltarem a funcionar, esse país não tem jeito."

Meirelles alfineta Lula

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse ontem em entrevista à Rádio Guaíba apostar na vitória de um candidato nas eleições presidenciais de 2018 que priorize uma agenda de mudanças modernizantes na economia.

Indagado sobre a possibilidade de disputar o Palácio do Planalto, tendo Lula como concorrente, de quem foi presidente do Banco Central, Meirelles afirmou que só vai decidir sobre a candidatura em abril e que mantém uma relação cordial com o petista, mas que os dois têm pontos de vista diferentes.

"Não concordo com a atual retórica de Lula", declarou o ministro, reiterando que, sob sua batuta, o país está voltando ao rumo certo, depois de enfrentar uma das maiores crises de sua história. "Agora o Brasil está indo tão bem ou melhor (do que na gestão de Lula). Estamos na direção certa."

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