De queimar a língua

Por O Dia

Sorvete - coluna Vinho sem Mistério
Sorvete - coluna Vinho sem Mistério - Divulgação

O sorvete nasceu há cerca de três mil anos, na China. Misturava-se uma porção de neve das montanhas, suco de frutas e mel. Mais tarde, por volta de 1800, blocos de gelo eram mantidos embaixo da terra, envoltos em serralho, até serem retirados para uso e exportação. Vida que segue: no dia 6 de agosto de 1834, chegava ao Rio o primeiro carregamento de gelo - 160 toneladas - vindo de Boston, nos EUA. Envolvido em serragem, o "pacote" foi enterrado em grandes buracos no sopé do Morro do Castelo, o que permitiu a sua conservação por quatro ou cinco meses. "Queima a língua", diziam os primeiros cariocas que provaram sorvete, em 1834!

Hora certa. Como naquela época não havia como conservar o sorvete depois de pronto, as sorveterias anunciavam a hora certa de tomá-lo, causando alvoroço na cidade. Até as mulheres, que então eram proibidas de entrar em bares, cafés e confeitarias, resolveram quebrar o tabu e faziam fila para experimentar a novidade. Pode-se dizer que o sorvete estimulou o movimento feminista de frequentar lugares até então reservados para os homens. E hoje não queima mais a língua.

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