O afrobeat carioca de André Sampaio em 'Alagbe'

Guitarrista e compositor lança novo disco com sua banda Afromandinga

Por FRANCISCO ALVES

O cantor e compositor André Sampaio: balanço africano com guitarra
O cantor e compositor André Sampaio: balanço africano com guitarra - Daniela Dacorso

Para a maior parte do público brasileiro, a influência africana na música se resume à percussão. Só de uns poucos anos para cá é que aqui se começou a descobrir o som eletrificado que embala muitos países da África, o chamado afrobeat. Ainda ausentes das programações das rádios, as bandas nacionais do gênero são cada vez mais ouvidas em shows e festas cariocas e chegaram a um nível excelente. A evolução pode ser checada facilmente agora, no lançamento do mais recente trabalho de André Sampaio, um dos principais nomes do afrobeat (ou afro-rock) feito no Brasil.

É o CD 'Alagbe', o segundo que o guitarrista, cantor e compositor gravou com sua banda, Afromandinga. Disponíveis nas plataformas digitais (Spotify, Deezer, etc...), as 13 músicas fazem transbordar um ritmo poderoso, sem descuidar das tramas melódicas. Um feliz reencontro de guitarra e atabaques. Junto a isso, letras que tratam de questões importantes da África e do Brasil, com destaque para a defesa das religiões afro, alvo de ataques violentos recentemente, inclusive com depredação de terreiros. "Respeito aos ancestrais, quem vem antes de nós", diz a música que dá título ao CD.

Mais do que no primeiro trabalho, agora André Sampaio se mostra um excelente letrista. Faixas como 'Mafalala Livre', 'Coluna de Aço' e, principalmente, 'Digam aos Vermes que Fico' não deixam dúvidas sobre isso. Mas, desde quando participava da banda Ponto de Equilíbrio, é na guitarra que seu talento chama mais atenção. É um verdadeiro craque. São acordes algumas vezes vigorosos, outras vezes doces, que revelam a beleza dessa mistura afrobrasileira.

'Alagbe' é a prova de que não é somente a percussão que traduz o balanço africano. A guitarra de André Sampaio e os instrumentos eletrificados da banda Afromandinga mostram como é possível preservar a tradição sem abrir mão de ser contemporâneo. E o melhor: sempre botando o ouvinte pra dançar, que ninguém é de ferro.

Comentários

Últimas de Diversão