NÃO!!! VOCÊ NÃO QUER PAGAR O MENOR PREÇO

Por O Dia

No Brasil, no Mundo ou em Marte, preço é O diferencial. Mas até uma criança de 6 anos de idade sabe bem que, muitas vezes, o barato sai caro. Principalmente se o barato não tiver garantia, nem fiscalização, nem regulamentação. Uma coisa é perder dinheiro com uma peteca, uma camiseta ou uma bolsa falsificada. Outra coisa é perder todas as suas economias com uma gambiarra que não protege nem o seu carro, nem o seu bolso.

Minha opinião (essa, sim, garantida e protegida pela Constituição Federal) é que a onda chamada de "proteção veicular" precisa ser discutida, debatida e desmascarada antes de causar perdas e danos irreversíveis e irreparáveis.

Para separar a razão da loucura, aqui vai uma lista com as diferenças fundamentais entre a solidez do seguro de automóvel regulamentado e as fragilidades da suposta proteção veicular.

1Proteção veicular é um mercado marginal, que opera à sombra da lei. Vendida como se fosse seguro, a atividade não é regulamentada nem sofre qualquer tipo de fiscalização das autoridades.

2Ao contrário do seguro, a proteção veicular não oferece garantia alguma ao associado. Ele assina um contrato de responsabilidade mútua e divide o risco com os demais membros da cooperativa.

3Em caso de prejuízo, é feito um rateio entre todos os associados. Na prática, o pagamento de indenização por acidente ou roubo do veículo vai depender do caixa da entidade (da disponibilidade de dinheiro).

4No seguro, a situação é bem diferente. Ao contratar uma apólice, o segurado transfere todo risco para a seguradora. Esta fica responsável pela indenização em caso de sinistro (acidente, roubo, furto, incêndio).

5 Quando a seguradora emite uma apólice, ela é obrigada a constituir reservas técnicas para fazer frente aos riscos futuros. Isso representa garantia de que o segurado receberá a indenização devida.

6 Na proteção veicular, esses cuidados não existem. As cooperativas não dispõem de reservas técnicas nem são enquadradas em regras de solvência. Algumas fecham da noite para o dia, deixando os associados na mão, no prejuízo e no desespero.

7 O prêmio anual do seguro é fixo e pode ser pago em cota única ou em parcelas. Esse prêmio é o valor que o segurado paga à seguradora para transferir a ela o risco previsto na apólice.

8Já na proteção veicular, o valor da mensalidade é composto de uma taxa de administração mais o rateio, que pode variar mês a mês. O rateio é a totalidade dos prejuízos apurados no mês anterior, dividida por todos os associados. Assim, a mensalidade pode subir de uma hora para outra.

9As apólices de seguro têm regras claras, que precisam ser aprovadas pela Susep. No caso da proteção veicular, a diretoria da associação pode mudar o regulamento a qualquer hora, sem consulta aos cooperados.

10 Cooperativas de proteção veicular costumam impor uma cláusula de fidelidade. Na maioria dos contratos, qualquer ocorrência obriga o associado a permanecer na cooperativa por um prazo de 6 a 12 meses.

11 A proteção veicular não costuma cobrir os casos de furto simples do automóvel (quando não há violência contra o motorista ou os passageiros). No seguro, esse tipo de sinistro é indenizável.

12 As seguradoras cobrem acidentes com franquia sem taxa adicional. Nas cooperativas de proteção veicular - atenção! - a taxa de franquia gira em torno de 4% do valor do veículo.

13 Em caso de reclamação ou denúncia, o segurado tem à disposição uma série de órgãos e entidades para protegê-lo: Susep, Procon, Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor e as ouvidorias das próprias seguradoras. Na proteção veicular, o associado está desprotegido. Não pode recorrer aos órgãos de defesa do consumidor, pois não se trata de uma relação de consumo.

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