Pelo menos quatro alimentadoras do BRT e cinco regulares não têm circulado nas zonas Norte e Oeste

Por O Dia

Rio - Enquanto o Rio Ônibus compra briga com a prefeitura para aumentar a passagem, passageiros de pelo menos nove linhas reclamam que elas desapareceram durante o dia ou à noite em várias regiões. O Consórcio BRT admite irregularidades em alimentadoras e justifica o problema com fatores como a queda da tarifa. Alguns serviços foram suspensos e outros encurtados sem autorização.

Na Rua Apiacás%2C na Taquara%2C passageiros reclamam da falta de circulação da 832 (Taquara- Alvorada)Maíra Coelho / Agência O DIA

Uma das linhas alimentadoras que ninguém mais vê na Rua Apiacás, na Taquara, é a 832 (Taquara - Alvorada). Passageiros andam mais que o necessário ou esperam mais tempo no ponto por outra opção. "Tínhamos linha vindo da Estrada do Rio Grande que passava para o lado de cá (Apiacás). Agora temos que saltar lá em cima e vir caminhando até a Apiacás ou a Nelson Cardoso para pegar outra", disse a aposentada Jacilene Maria, 68.

A também linha alimentadora 865 (Pau da Fome - Taquara) desapareceu da Estrada do Rio Grande, na Taquara. "Deve ter uns 3 ou 4 meses. Muitos idosos e estudantes usavam essa linha e a van não comporta todas as pessoas", lamentou a corretora Vera Lima, 48.

Quem volta para casa de madrugada enfrenta uma saga, como o caixa Leandro Silva, 33. "Eu embarcava na 685 (Méier - Irajá), que deixou de operar depois das 23h. Motoristas e fiscais disseram que foi por conta da redução da passagem. Virou um inferno voltar para Campo Grande, Santa Cruz e Sepetiba após as 23h", reclamou. Segundo ele, a 790 (Cascadura -Campo Grande) está encerrando a 0h e a 366 (Campo Grande - Praça Tiradentes) é "uma loteria". Usuários também relataram o sumiço da linha 351 (Irajá - Candelária) e das alimentadoras 806 (Boiuna - Taquara) e 702 (Praça Seca - Madureira), além da alteração de trajeto da Troncal 10 (Jardim de Alah - Cruz Vermelha).

A Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) informou que o consórcio Transcarioca foi autuado neste ano por interrupções alternadas das linhas alimentadoras 832, 865, 806 e 702. "Estas linhas estão sob monitoramento permanente". Sobre a 685, disse que não tem serviço noturno, circula até às 23h. Já a 790, deveria rodar a noite toda e será fiscalizada. A 351 também deveria circular e o consórcio responsável foi multado 25 vezes em 2017 por operar com frota menor e por suspender a linha. Já a Troncal 10 sofreu revisão de itinerário pela prefeitura.

BRT alega que empresas estão com dificuldades

O Consórcio BRT, responsável pelas linhas alimentadoras, afirmou que a queda no número de passageiros em razão da crise no país, a concorrência com as vans, a decisão da prefeitura de não reajustar a tarifa este ano e a redução de R$ 0,40 (determinada pela Justiça) "agravaram a situação econômica das empresas de ônibus, que estão com dificuldade em manter 100% da frota em circulação".

"As concessionárias não conseguem cumprir seus compromissos, como o pagamento em dia dos fornecedores e dos funcionários. Combustível e mão de obra são fundamentais para manter as linhas em circulação, por isso algumas estão fora de operação", ressaltou o BRT.

Já os consórcios Internorte, Intersul e Santa Cruz, por meio do Rio Ônibus, informaram que "não existe represália à diminuição da tarifa determinada pela Justiça". O Rio Ônibus respondeu que "as linhas 790, 685 e 366 operam com frequências e horários de acordo com o planejamento de mobilidade urbana determinados pela SMTR, inclusive a 351, que circula em horários reduzidos". Quanto à Troncal 10, reforçou que teve o itinerário alterado por solicitação da SMTR.

O prefeito Marcelo Crivella disse ontem que a tarifa de R$ 3,40 "está justa" diante do serviço prestado. Os rodoviários decidiram fazer greve em 31 de dezembro devido a atrasos nos salários e parcelamento do 13º.

Últimas de _legado_Notícia