Justiça argentina ordena prisão de Cristina Kirchner

Juiz alega traição à pátria no caso dos acusados de atentado há 23 anos

Por O Dia

A Justiça argentina ordenou o fim do foro privilegiado e a prisão da ex-presidente e senadora Cristina Kirchner (2007-2015) por supostamente acobertar iranianos acusados pelo atentado contra um centro judaico que matou 85 pessoas em 1994. A ordem inclui ainda a seu ex-chanceler, Héctor Timerman, e ex-funcionários do governo.

Cristina é acusada de traição à pátria por ter assinado em 2012 acordo com o Irã para que os iranianos acusados pelo atentado fossem interrogados em Teerã ou em um terceiro país.

A decisão foi ditada pelo juiz federal Carlos Bonadío, a quem Kirchner se apresentou em outubro, quando apresentou texto negando as acusações. Ela acaba de tomar posse como senadora, eleita nas eleições legislativas de outubro, e assumirá este domingo.

Para que o pedido do juiz seja cumprido, ela deverá primeiro ser submetida a um processo de perda do foro privilegiado no Congresso. Para isso, é preciso que o governo do presidente Mauricio Macri inclua o pedido em uma convocatória a sessões extraordinárias. O trâmite inclui o Senado, precisando ser aprovado por dois terços dos presentes.

Culpa do Macri

A ex-presidente reagiu, dizendo se tratar de"um verdadeiro excesso" que "viola o Estado de Direito". Em coletiva, a ex-chefe de Estado assegurou que o presidente Mauricio Macri "é o máximo encarregado de uma organização política e judicial para perseguir a oposição" e considerou que a acusação de "traição à pátria" contra ela é "um insulto à inteligência dos argentinos".

A ex-presidente, de 64 anos, qualificou de "inventada" a ação contra ela, durante a coletiva concedida a jornalistas acompanhada por dezenas de legisladores e dirigentes políticos afins em uma sala da Câmara dos Deputados.

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