Palestinos protestam contra decisão de Trump

Manifestantes se recusam a aceitar reconhecimento de Jerusalém como capital israelense. Nações Unidas devem se reunir hoje para tratar do impasse

Por O Dia

Palestinos queimaram a bandeira americana e jogaram pedras em soldados israelenses em protesto
Palestinos queimaram a bandeira americana e jogaram pedras em soldados israelenses em protesto - AFP/ABBAS MOMANI

Palestinos enfurecidos entraram em confronto ontem com soldados israelenses e queimaram o retrato de Donald Trump em protesto contra a decisão do presidente dos EUA de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

Mais de 20 palestinos ficaram feridos na manifestação, convocada pelo movimento islamita Hamas. Eles jogaram pedras nos militares, que revidaram com balas de borracha e disparos em um tanque. Dois foguetes israelenses também aterrissaram no território palestino.

"Toda a nossa história está ali. Jerusalém é uma capital árabe e palestina, não a capital do ocupante", afirmou o manifestante Abdallah al-Khalil, de 17 anos.

Em Jerusalém Oriental, parte palestina da cidade, lojas e escolas foram fechadas em greve.

Uma milícia xiita iraquiana, favorável ao Irã, também ameaçou as forças americanas que estão no país. "A decisão de Trump legitima atacar as forças americanas no Iraque", disse Akram Al Kaabi, chefe da milícia Nujaba em comunicado.

Hoje, o Conselho de Segurança da ONU se reunirá em caráter de urgência, a pedido de oito países, para tratar da questão. As manifestações devem continuar nesta sexta, dia da tradicional oração semanal dos muçulmanos.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan advertiu que a medida coloca a região "em um círculo de fogo" e quer mobilizar o mundo muçulmano.

Até a Arábia Saudita, aliada dos EUA, qualificou o ato como "irresponsável".

Donald Trump prometeu buscar um acordo diplomático para a região. "Continuaremos determinados a ajudar a facilitar um acordo de paz para as duas partes", assegurou.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, expressou temores de um retorno "aos tempos sombrios", enquanto a Rússia disse estar "muito preocupada".

'Trump entra para história'

Primeiro ministro de Israel - AFP/GALI TIBBON

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que Donald Trump entrou para sempre para a história de Israel ao cumprir a lei de 1995 que reconhece Jerusalém como capital. "Seu nome aparecerá com orgulho na história gloriosa de nossa cidade", disse ele.

Segundo Netanyahu, outros países estão considerando seguir a iniciativa dos EUA e transferir suas embaixadas.

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