Ato de PPK reforça estigma de presidente mentiroso

Por O Dia

Kuczynski justificou que o indulto buscava evitar que Fujimori morresse na prisão, mas muitos duvidam. PPK ganhou por estreita margem as eleições de 2016 contra Keiko Fujimori, filha do ex-presidente, cujo partido, Força Popular, conseguiu maioria no Congresso e mantém o presidente sob pressão.

O Força Popular e os partidos de esquerda lançaram o procedimento de destituição de Kuczynski por mentir ao depor sobre as milionárias assessorias que teria prestado à Odebrecht.

Com reduzido apoio no Congresso, estimava-se que o impeachment seria aprovado, mas foi surpreendentemente rechaçada. A abstenção de dez legisladores do Força Popular, incluindo Kenji Fujimori, caçula do ex-presidente, foi crucial para que PPK se salvasse.

O indulto, porém, reforçou a sensação de que Kuczynski mente, pois por dois anos negou qualquer vínculo com a Odebrecht (até ser desmentido pela própria empresa) e porque várias vezes disse que não concederia o perdão a Fujimori.

"Kuczynski tem, sim, atenuante nas circunstâncias em que decidiu violar a palavra e dar o indulto: ou aceitava dá-lo ou hoje não seria presidente", destacou editorial do 'El Comercio', jornal mais influente do Peru, acrescentando que "têm razão todos os que pensam que Kuczynski mente".

Acamado, Fujimori gravou vídeo em que pede perdão. "Estou consciente de que os resultados durante meu governo por uma parte foram bem recebidos, mas reconheço que desapontaram outros compatriotas. A eles peço perdão de todo coração", afirmou Fujimori, de 79 anos e internado em uma clínica por problemas circulatórios.

Comentários

Últimas de Mundo & Ciência