Fogo não queima?

Por Geraldo Vila-Forte Machado Presidente do Sindicato dos Auditores da Receita Estadual

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A Reforma da Previdência está na pauta do dia. De um lado, o governo e o assim chamado mercado jogam duro na aprovação, apavorando a população com a ideia de que o Brasil vai quebrar se nada for feito. De outro lado, a oposição alerta e boa parte da população já parece concluir que as coisas não são bem assim, que a Previdência é superavitária, que não há risco de quebra e por aí vai. Quem estaria com a razão?

Não abordaremos questões técnicas mais profundas. Quem estiver interessado pode recorrer a uma consulta no Google, há centenas de artigos tratando do assunto, tanto a favor como contra.

Porém, vale observar o tema por um prisma político. Um segmento da oposição bate na tecla de que a reforma pretendida em português claro: a redução dos seus benefícios não visa a nada mais do que retirar dinheiro de toda a população para transferi-lo ao grande capital, não apenas ao permitir que sobre mais dinheiro para o pagamento da dívida pública, mas tamb4ém ao garantir que o mercado das aposentadorias privadas seja ampliado ad infinitum. Isso seria uma tese falsa, formulada por alguns extremistas de esquerda raivosos? Achamos que não. Primeiramente, porque obedece aos preceitos do Consenso de Washington, que vêm sendo seguidos religiosamente por todos os governos.

Em segundo lugar, e talvez mais importante, os fatos trazidos à luz após a crise financeira de 2008 demonstram que o grande capital não hesita nem um pouquinho em recorrer até mesmo a fraudes quando o assunto é surrupiar o seu dinheiro. Aliás, a simples perspectiva de que a reforma venha a ser aprovada já levou os bancos a vender mais de 1 milhão de planos de previdência. Cuidado, portanto.

Há outro motivo. O governo está diante de uma missão ingrata. Ele tem de convencê-lo de que você viverá melhor se aceitar perder dinheiro. Difícil, não? Isso seria mais ou menos como persuadir as pessoas de que fogo não queima. Mas mentir não vale, não é? Não valeria se tivéssemos outro governo, esse que está no poder não titubeia nem um pouco se tiver de mentir. Tanto assim que o Judiciário suspendeu a propaganda governamental justamente por isso (processo 1016921-41.2017.4.01.3400). Coisa feia, não?

Além do mais, a exemplo dos melhores regimes totalitários, escolhe um inimigo para desviar a atenção da população. Alega que o maior objetivo da reforma é corrigir as injustiças cometidas pelos malvados servidores públicos. Mentira grosseira. Mas ainda que fosse verdade, o governo não faz a você a pergunta básica: a fim de que sejam corrigidas as tais "injustiças", você aceita perder dinheiro?

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Geraldo Vila-Forte Machado, presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual e colunista do DIA Divulgação

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