Passageiro, cadê o seu dinheiro?

Por Guilherme Simões Reis Professor da Unirio

Guilherme Simões Reis, professor da Unirio, colunista do DIA
Guilherme Simões Reis, professor da Unirio, colunista do DIA - Divulgação

O transporte público no Rio é ruim, e as passagens são caras porque tudo visa ao lucro dos empresários que têm a concessão e não a atender às necessidades do passageiro. Resultado: desconforto, insegurança, não funcionamento em horários e áreas não lucrativos, reajustes abusivos. A suposta "racionalização" deixou mais distantes os pontos e obrigou a baldeações numerosas e demoradas. Pagamos mais do que seria preciso para manter o serviço, pois é acrescentada margem de lucro.

O Rio Ônibus pede "auditoria independente" para definir um preço "justo". Ora, já houve auditoria, que disse que as tarifas eram exageradas. Operação da PF prendeu empresários de ônibus suspeitos de pagar propina para obter favorecimento. Coletivos lotados, com carroceria de caminhão e sem ar, não afetam só passageiros. Em péssimas condições de trabalho, rodoviários da Zona Norte entraram em greve. Com muita luta, a Câmara de Vereadores aprovou o fim da dupla função, que havia tirado os cobradores, sobrecarregando motoristas, ampliando o risco de acidente e aumentando o desemprego. Para o Rio Ônibus, a medida é "retrocesso".

Mal sinalizado e abarrotado, o BRT anunciou o fechamento de várias estações na Zona Oeste devido a depredações e calotes. Não seria óbvio contratar seguranças em vez de prejudicar a população? Culpam os passageiros para isentar as empresas de responsabilidade. Já o metrô faz campanha contra os vendedores ambulantes, para jogar trabalhador contra trabalhador. Enquanto isso, sua única linha bifurcada (mas que diz serem quatro linhas) fica superlotada, sem dar opções variadas de percurso para os usuários como em qualquer metrô normal. Desliga escadas rolantes para economizar energia com placas fingindo manutenção, a climatização funciona mal, e o não investimento em sinalização faz os carros pararem a toda hora, como se estivessem num engarrafamento. A SuperVia tem recorrentes descarrilamentos, e os trens saem como latas de sardinha, às vezes com a luz apagada. Aliás, Metrô, SuperVia e VLT só são transportes separados para dar lucro para empresas diferentes. O RioCard é um falso bilhete único: não se paga só o preço de uma passagem na integração, há abusos contra o consumidor.

Não há solução para o transporte no Rio sem mudar prioridades. Escolhemos o lucro de poucos ou nosso direito de ir e vir?

Há que se romper o silêncio: precisamos reestatizar o transporte.

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