Caminhoneiro sequestrado ontem desabafa e diz que não volta ao Rio

Motorista é levado com a esposa e a carga para a Favela Kelson's, na Penha, e é libertado pela polícia

Por O Dia

O motorista Alair conta que, além do sequestro de ontem, sofreu outro assalto no Rio há cinco dias
O motorista Alair conta que, além do sequestro de ontem, sofreu outro assalto no Rio há cinco dias - Maira Coelho/Agencia O Dia

'São dez anos como caminhoneiro, já fiz muito frete para o Rio de Janeiro, mas para mim chega". O desabafo é de Alair Fernandes de Oliveira, 49 anos. Na manhã de ontem, o caminhoneiro que transportava uma carga de filé de frango, avaliada em cerca de R$ 100.000,00 foi sequestrado junto a sua esposa e levado por bandidos para a comunidade da Kelson's, na Penha, por duas horas. Em 2017, já foram contabilizados 8.508 assaltos roubos de cargas, de acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP).

O caminhoneiro vinha de Santa Catarina quando foi abordado na Avenida Brasil, no sentido Caju. Acompanhado de uma escolta de moto, mas sem armamento, a carga sofreu o ataque de bandidos que bloquearam a passagem do veículo com um carro branco. Um bandido invadiu o caminhão e ordenou o trajeto para a comunidade do Complexo da Penha. "No momento não vi arma, mas o carro que estava na frente estava com quatro homens. Eles não mexeram comigo nem com a minha esposa, só na carga. Um ficava vigiando a gente, não deixando sair e o grupo foi mexer lá atrás. Levaram acho que uns R$ 20 mil", relata Alair.

Ao mudar a rota, a seguradora foi avisada. A escolta avisou aos Policiais do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) que junto a equipe do PMs do 16º iniciaram a operação para resgatar as vítimas. Sem confronto com os criminosos, quatro viaturas e um blindado participaram da ação. Segundo relato do caminhoneiro, fogos de artifício avisaram a chegada dos policiais. O casal foi escoltado para a Cidade da Polícia, onde prestou queixa.

Bastante nervosa, Eliane Aparecida, a esposa do caminhoneiro, precisou ser ajudada pelos policiais com água e açúcar para se tranquilizar. O motorista Alair contou que, há cinco dias, foi assaltado dentro do estacionamento dum um supermercado. "O vidro é novo dos dois lados, eles me assaltaram lá dentro. Eu estava dormindo, quebraram o vidro a pedrada, estava eu e minha esposa. Levaram nossos celulares e R$ 2.000. Vou parar, infelizmente não dá mais para vir ao Rio", desabafou.

Na sala da delegacia, Alair tentou, sem sucesso, reconhecer os bandidos na pasta de procurados da polícia. Com uma expressão cansada e abatida, ele conta que após realizar o boletim de ocorrência vai voltar para o posto da seguradora para a empresa tomar as providências. Mas logo em seguida, o caminhoneiro e sua esposa voltam para Santa Catarina. Na mesma delegacia, outro caminhoneiro, Celso Leite de Oliveira, é mais um nas estatísticas de roubo de carga e relata o assalto sofrido na noite anterior, às 20h30, na Via Dutra.

O prejuízo foi de R$ 55 mil na carga de margarina que levava. Mas também o trauma do paulista que também não pretende voltar ao Rio de Janeiro a trabalho. "Duas motos me abordaram, eu estava indo pernoitar no posto. Mandaram eu entrar à direita e tiraram a carga. Ainda levaram minha carteira. Hoje, para vir fazer o boletim, precisei que me buscassem porque não tinha dinheiro, nada". E Celso avisou: "Para o Rio eu não venho mais".

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