Rodas na Tiradentes motivam debate de empresários e sambistas

Polo Novo Rio Antigo pede limitação dos eventos, alegando esvaziamento das casas noturnas

Por JONATHAN FERREIRA

A Festa da Raça reúne milhares de pessoas na praça duas vezes por mês
A Festa da Raça reúne milhares de pessoas na praça duas vezes por mês - DIVULGAÇÃO

A roda de samba, uma das manifestações culturais cariocas que mais tem se multiplicado pela cidade, virou alvo de polêmica justamente em uma região conhecida pelo seu espírito boêmio. Em artigo publicado em 30 de novembro, no DIA, representante dos proprietários de casas noturnas da área da Lapa questionam o horário e as regras para a realização dos eventos na Praça Tiradentes. Em resposta publicada na segunda-feira, o Sindicato dos Músicos defende a democratização e o acesso gratuito à arte. Para ampliar o debate, será realizada hoje, às 15h, reunião envolvendo todas as partes a fim de discutir o assunto. Logo depois, lá pelas 18h, haverá mais uma edição da roda 'Festa da Raça' para unir os dois lados.

O presidente da associação dos empresários 'Polo Novo Rio Antigo' afirmou, no artigo, não ser favorável à permanência da roda de samba na Praça Tiradentes, sob argumento de que "a região reúne pelo menos 80 casas que vivem do mesmo negócio, o samba, pagando altos impostos, gerando empregos e enfrentando grandes desafios frente à crise econômica". Segundo o texto, assinado pelo presidente Carlos Thiago Cesário Alvim, "a atração, que parece agregar valor à região, acaba incentivando a concentração e permanência de ambulantes que concorrem de maneira desleal, além de afastar os visitantes das casas e perturbar quem reside no entorno".

Já na avaliação dos sambistas e produtores culturais, as rodas na Praça Tiradentes geram trabalho e renda, além de atrair público e dar vitalidade ao local, que por muitos anos viveu carência de serviços públicos e insegurança. Atualmente, a região é palco de eventos como Coro Come, Tiradentes Cultural, Festa da Raça e Pede Teresa, esses dois últimos rodas de samba.

O produtor cultural Felipe Campos Vieira, conhecido como "Pipa", um dos organizadores do Samba na Praça, ressaltou o valor turístico e musical da região. "O samba é um sentimento, e cabe a cada pessoa decidir como quer resplandecer esse sentimento, seja na rua ou dentro de alguma casa noturna. O Rio está em um momento de transformação. O desemprego fez com que as pessoas buscassem a sua vocação na arte", ponderou. O Sindicato dos Músicos também afirma que esvaziamento das casas noturnas são reflexo da crise econômica e não das rodas de samba na praça, que acontecem duas vezes por mês.

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