QUE VENHA 2018

Após um ano de crise tão profunda no Estado do Rio, especialistas, autoridades e cariocas falam sobre o que esperam que seja feito para melhorar a vida da população no ano que começa

Por O Dia

seta sem 2018
seta sem 2018 - arte o dia

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Valorização do professor e mais estrutura na Educação

Moradora da Rocinha e aluna do 7º ano da Escola Municipal Georg Pfisterer, no Leblon, Anna Carolina, de 11 anos, já escolheu sua profissão do futuro: veterinária. Para a filha realizar o sonho, o pai, Antonio Carlos do Nascimento, 30, estima maior atenção à educação básica. "E não apenas com estrutura e profissionais que realmente querem trabalhar, mas com investimentos que atendam às necessidades. O estudante público é formado numa base muito deficiente, por isso a maioria das vagas nas universidades estaduais e federais vai para quem estudou nas escolas particulares", diz ele.

A estudante de Letras Mainá Cardoso, 18, que participa de um projeto na Escola Municipal Estácio de Sá, na Urca, espera um ano com mais valorização aos professores e estrutura para os alunos do município. "O primeiro passo é incentivar os profissionais, que não têm boa remuneração. Os alunos recebiam material e uniforme e, de uns anos para cá, não recebem mais nada. Algumas crianças reclamaram que o caderno acabou no meio do ano e não podiam comprar", aponta.

A coordenadora geral do Sindicato dos Profissionais de Educação (Sepe), Marta Moraes, reivindica a criação de uma política pública conjunta entre município e estado visando à segurança nas escolas, afetadas diversas vezes em 2017 por confrontos em comunidades. E classifica como grave a falta de porteiros nos colégios. Abertura de concurso para todos os segmentos é outro pleito.

A Secretaria Municipal de Educação pretende levar mais arte às escolas em 2018 com o programa "A escola fertiliza a cena da cidade", projeto de teatro para toda a rede que está em fase de criação. "O projeto teatral vai oferecer oficina de dramaturgia aos alunos de nossa rede", antecipa o secretário César Benjamin. Também está nos planos oferecer a todas as crianças o projeto de música "Orquestra nas Escolas". "Queremos muita música na rede, com os alunos se apresentando juntos em todos os lugares. Assim o Rio de Janeiro não será mais uma 'cidade partida'", afirma. Existe ainda a meta de garantir a todos os alunos o domínio pleno da leitura, da escrita e do manejo dos números no final do 2º Ano do Ensino Fundamental.

Melhoria do transporte por ônibus é esperança dos passageiros

O morador de Campo Grande Guilherme Alves, 23 anos, elege a reorganização do transporte público por ônibus como prioridade: "Considero que os dois pontos-chave para o ano que vem são a reestruturação e recuperação do sistema de ônibus na cidade e uma verdadeira integração tarifária entre os sistemas de transporte da Região Metropolitana, com preços menores."

A definição do preço justo da passagem de ônibus no município é uma das medidas mais esperadas para a mobilidade em 2018, segundo Eva Vider, engenheira de Transportes da Escola Politécnica da UFRJ, após um ano marcado por quedas de braço entre empresas e prefeitura, que negou o reajuste anual. Como a questão está na Justiça, ainda não é sabido se a tarifa subirá em janeiro. Enquanto isso, os consórcios alertam para risco de colapso e o serviço continua falho. "É necessário fazer a revisão da planilha de tarifas, que está no âmbito jurídico e não foi feita de forma técnica", defende Eva.

A conclusão das obras na Avenida Brasil, que entope a via de engarrafamentos, é cobrada pelo coordenador da Casa Fluminense, Vitor Mihessen. Também entraram na pauta de sugestões da instituição novos investimentos nos trens, especialmente no quesito segurança, reforço da estrutura cicloviária na capital (que sediará dois eventos internacionais de transporte ativo em 2018) e restabelecimento das integrações do Bilhete Único Intermunicipal, reduzidas em meio à crise.

O secretário municipal de Transportes, Fernando Mac Dowell, diz que continuará trabalhando para manter uma tarifa justa para a população. "Além disso, seguiremos com fiscalização e monitoramento permanentes para que os usuários tenham um transporte com qualidade", promete.

Para a Segurança, mais policiamento nas ruas é o que pedem os especialistas

O desejo da mãe do estudante Eduardo Henrique Carvalho, de 10 anos, morto por bala perdida próximo ao Morro do Juramento quando foi comprar sacolé, no início de dezembro, é um eco da voz de todos os cariocas: "Se tivesse segurança, meu filho não teria falecido. Ele se foi e os covardes estão aí tirando mais vidas. É de segurança que a gente precisa", suplica Ana Paula Carvalho, 35.

Vizinhos da região, que ficaram encurralados muitas vezes no ano durante confrontos na favela, reforçam o pedido. "Espero uma política de segurança séria, com condições de trabalho para os policiais e mais policiais nas ruas. Tem que ter prevenção, e não esperar os confrontos para depois subir o morro atirando e matando", ressalta a comerciante Rosângela Oliveira, 54, que almeja ainda endurecimento das leis. "Prendem hoje e soltam amanhã. É só gasto com pessoal e combustível", completa.

O delegado federal aposentado Antônio Rayol espera que o governo estadual admita que as UPPs foram um erro e elimine o programa. "O patrulhamento deve ser como em qualquer cidade no mundo. A polícia tem que entrar em qualquer lugar, tem que circular. Ao estabelecer base fixa, consome-se parte do efetivo para tomar conta só daquele ponto. E base fixa só existe para o bandido saber onde a polícia está", afirma. Aumentar e treinar melhor o efetivo da PM e combater a corrupção na polícia são outras medidas consideradas urgentes na avaliação do especialista.

"Se os R$ 42,2 milhões gastos com as Forças Armadas na Segurança do Rio tivessem sido aplicadas nas polícias, os resultados seriam melhores. Querem um Rio um pouco menos inseguro em 2018? Apliquem esses recursos nas polícias", destaca o coronel Mário Sergio Duarte, ex-comandante geral da PM e ex-comandante do Bope.

O secretário de Segurança Pública, Roberto Sá, aponta suas perspectivas para 2018: "Em razão do equilíbrio fiscal, que o estado invista em segurança pública para que as polícias possam atuar de forma mais qualificada e efetiva". Com o investimento, seu desejo é "implantar novos projetos que possibilitem a redução e controle da criminalidade, aumentando a sensação de segurança."

Na Saúde, promessa de clínicas de especialidades

Uma das áreas mais castigadas pela crise em 2017, com falta de remédios e insumos, cancelamento de cirurgias e consultas, atrasos de salários, leitos de UTI fechados e equipamentos quebrados, a Saúde ganha esperança de voltar a respirar em 2018. É a expectativa do presidente da Federação Nacional dos Médicos, Jorge Darze. "Na capital, vamos viver uma experiência nova, uma vez que o orçamento para a Saúde é de autoria do atual prefeito. Então, ele não vai mais poder responsabilizar a administração anterior. Vamos torcer para que melhore", anseia. E dita receita para reduzir transtornos nas unidades estaduais e federais, sem perspectivas favoráveis na visão dele, devido ao contexto de crise: "Boa dose de moralidade, transparência e compromisso com a causa pública".

O secretário municipal de Saúde, Marco Antônio de Mattos, garante que a equipe colocou ordem na casa depois de encontrar uma situação difícil, segundo ele, deixada pelo governo anterior. "Para 2018, o nosso plano é iniciar a Parceria Público-Privada para dar início ao projeto das Policlínicas de Especialidades, medida que vai ajudar a reduzir o tempo de espera na fila por consulta com especialistas. Outra medida que vai gerar impacto significativo é a modernização dos parques tecnológicos dos hospitais da administração direta, agilizando a realização dos exames de imagens e reduzindo, também, o tempo de espera na Regulação", anuncia. Dar mais ênfase aos serviços de Saúde Mental e inaugurar novas Clínicas da Família, como as do Andaraí e da Maré, também são promessas para os próximos 12 meses.

O jornalista Thiago Marcone, de 30 anos, que depende de postos de saúde para fazer alguns exames, torce para que as condições melhorem: "Os procedimentos são confusos e demorados. Espero que a saúde pública possa evoluir nesses e em outros pontos."

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