A MAIOR BATERIA DO MUNDO

Por O Dia

O Réveillon de Copacabana já rolou em clima de congraçamento - o tema da grande festa foi o abraço, numa referência ao clássico 'Aquele Abraço', de Gilberto Gil. E amanhã, pouquinho depois da virada, o clima de festa volta a dominar as areias, no pedaço em frente ao Copacabana Palace. O 'Encontro do Samba' vai reunir a maior bateria já vista no mundo, com mais de 1.000 ritmistas das 13 escolas de samba do Grupo Especial.

O som começa a rolar às 19h. E vem das cercanias do Copa Palace, já que uma parte dos ritmistas sai do Leme e a outra sai do Posto 6, num desfile pela orla, que termina com o encontro no palco. E tudo terminando em clássico: ao final, o maestro Isaac Karabtchevsky une-se aos sambistas comandando a Orquestra Petrobras Sinfônica, com 59 músicos. E com as participações de Alcione, Diogo Nogueira, Iza e Martinho da Vila cantando um repertório clássico de sambas.

SEM COMPETIÇÃO

O evento é uma realização da Prefeitura do Rio e uma idealização da mesma empresa que faz o Réveillon de Copa. Sócio da SRCOM, Abel Gomes criou o evento e diz que o conceito também é o "abraço". Mas um abraço coletivo das escolas de samba, e das coirmãs com a população do Rio.

"Gosto dessa coisa de união, de confraternização, e a ideia era que todas as escolas estivessem unidas e misturadas. E como o coração da escola de samba é a bateria, fiz um grande desfile de baterias. Vamos ter o maior coral aberto do mundo, já que esperamos 200 mil pessoas", conta Abel. "Todos vão cantar os sambas de todas as escolas. Não é um momento de competição, mas de união. E o Rio tem essa coisa da alegria, de gostar de abraço, de beijo".

"Tenho certeza de que esse evento vai surpreender a todos os cariocas e turistas que vão ficar na cidade após o Réveillon. É um encontro inédito do samba com uma orquestra sinfônica. E nesse cartão-postal que é a Praia de Copacabana", diz o prefeito Marcelo Crivella.

NO REFRÃO

O Encontro do Samba tem duas etapas. Começa com sambas-enredo clássicos como 'Bum Bum Paticumbum Prugurundum' (Império Serrano, 1982), 'Contos de Areia' (Portela, 1982), 'Festa Para Um Rei Negro' (Salgueiro, 1971) e 'Liberdade, Liberdade, Abra as Asas sobre Nós' (Imperatriz Leopoldinense, 1989). Além de outros mais recentes, como 'A Virgem dos Lábios de Mel, Iracema' (União da Ilha, 2017) e 'Soy Loco Por Ti América' (Vila Isabel, 2006). Intérpretes das escolas se dividem entre os vários sambas, ao lado de um coral.

"São sempre os refrãos dos sambas. Os intérpretes vão se alternando nas músicas e cantando o refrão. Mas os intérpretes específicos das escolas podem inserir cacos nos sambas, aquelas coisas que são características das escolas, como o 'olha a Beija-Flor aí, gente!'", conta o curador musical do evento, Guto Graça Mello. A Guto, aliás, pode ser atribuída a entrada do samba em aberturas de novelas - graças a 'Pecado Capital', de Paulinho da Viola, incluída na trama homônima de Janete Clair em 1975, e feita pelo sambista com exclusividade. "O Paulinho me perguntou qual era o prazo pra entregar a música pronta e falei: 'É pra agora! Você vai sentar na minha frente e vai compor'. E ele compôs a música na minha frente! Saímos de lá e fomos gravar", recorda.

Depois, Isaac sobe ao palco com a Orquestra, e cantores alternam-se em clássicos como 'Não Deixe O Samba Morrer' (imortalizada por Alcione e também cantada por ela no evento), 'O Show Tem Que Continuar' (do repertório do Fundo de Quintal, com Diogo), 'Canta, Canta, Minha Gente' (com o autor Martinho da Vila) e 'Brasil Pandeiro' (de Assis Valente, com Iza). No roteiro do encontro há ainda medleys de Cartola, Ataulfo Alves e Dona Ivone Lara.

"E no final do evento tem uma versão de 'A Voz do Morro', de Zé Kéti, com todos os cantores, a banda-base, os ritmistas e a orquestra. O arranjo é do maestro Tutuca Borba. Põe o nome dele aí, que ele tá aqui na minha frente!", brinca Guto, por telefone, falando do maestro e tecladista que pode ser visto também na banda de Roberto Carlos.

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