em ruínas

Aos 45 anos, Selton Mello diz que envelhece bem, confessa ter claustrofobia e possuir projetos de séries na Netflix e na Globo. Ele não descarta o retorno às novelas. "Sempre esbarra no problema do tempo para mim", afirma

Por O Dia

Saulo (Selton Mello), em 'Treze Dias Longe do Sol'
Saulo (Selton Mello), em 'Treze Dias Longe do Sol' - Ramón Vasconcelos/TV Globo

Sensação de clausura, falta de ar e luta pela vida. Junte isso a um herói com pinta de vilão. Ou seria vilão com uma pegada heroica? Selton Mello, 45 anos, volta ao ar na série 'Treze Dias Longe do Sol', que estreia hoje, na Globo, e trata da sobrevivência de soterrados na queda de um prédio em construção.

"Felizmente eu nunca vivi nada tão pesado. Como esse personagem vive. Mas o meu irmão viveu", lembra Selton em referência ao também ator, Danton Mello, que em setembro de 1998 sofreu um acidente de helicóptero. "Ele é um sobrevivente. Muitas vezes nesse trabalho, eu pensava nele. Meu irmão é uma inspiração para esse trabalho. Ele viveu algo realmente pesado. A gente, da família, achou que ele tivesse morrido", acrescenta o intérprete de Saulo.

TRAMA

Na história de Elena Soárez e Luciano Moura, Saulo (Selton) é o engenheiro responsável pela construção de um centro médico. Ele, que é ambicioso, quer ser sócio de construtora. Por conta disso, acaba fazendo uma obra com material de qualidade questionável e isso acaba gerando a queda do prédio antes da inauguração.

"Isso acontece na hora que a personagem da Carolina Dieckmann (Marion) chega. Ela dá uma dura nele, já que é filha do dono. Você logo entende que eles têm alguma coisa", conta o ator, que não contracenava com a atriz desde a novela 'Tropicaliente', há 24 anos. "Foi legal perceber que ela está igualzinha. Ela é uma mulher cheia de vida, filhos lindos. Foi lindo meu reencontro com ela. Ela é uma atriz maravilhosa. Está mais linda do que nunca. A gente está envelhecendo bem", comemora.

HERÓI

Para Mello, seu personagem é o herói da trama. "Mas no decorrer da série, pode ser que ele não seja. A série é um drama, sobre esses personagens, que uns estão soterrados, e os outros soterrados também, mas de outra fora. Soterrados pela imprensa, pela culpa de tudo aquilo. Estão todos soterrados, cada um em sua maneira. Todos passam por uma transformação", explica. "Eu acho que você sempre cresce nos fracassos, nas derrotas. Já aconteceu comigo, várias vezes", completa.

A QUEDA

O desmoronamento acontece logo no primeiro episódio, deixando mortos, feridos e soterrados. Para se chegar à cena da queda do prédio feito inteiramente em 3D foram feitas centenas de simulações pela equipe liderada por Moura, que assina a direção geral da produção. Esse processo também exigiu estudo de quedas e demolições de prédios reais.

Durante 30 dias, uma equipe de aproximadamente 45 profissionais construiu cinco subsolos que eram usados como cenário para os personagens Saulo, Marion e os operários. Tudo foi construído dentro dos estúdios da O2 Filmes, coprodutora da série, em São Paulo.

"A série se passa em dois tempos: nos personagens do mundo de cima e nos personagens do mundo de baixo. A gente lá embaixo lutando para sobreviver. E o povo lá em cima também tentando sobreviver, de uma forma diferente, mas tentando se safar. Um querendo colocar a culpa no outro, e no decorrer da história você vai entender o que realmente aconteceu e o que liga esses personagens. É uma série bem interessante. Quando eu li, eu fiquei bem tocado e impressionado", avalia Mello.

CLAUSTROFÓBICO

Nas gravações da série, Selton lembra que não foi fácil. Mas evita entrar em detalhes para não estragar o efeito surpresa. "A gente estava atuando no perrengue, mas foi tudo muito bem realizado", desconversa ele, que confessa: "Sou um pouco claustrofóbico". Para estar completo em cena, o ator conta que intensificou a alimentação e a meditação. "Foi fundamental. Pois era um trabalho que exigia muito da gente", justifica.

NOVELA

Paralelamente à produção da Globo, o ator está no elenco da série 'O Mecanismo', com direção de José Padilha, na Netflix, multiplataforma de séries e filmes na internet. Além disso aguarda a aprovação da Globo para a série 'O Alienista', que ele colabora no texto com o autor Filipe Miguez e não descarta o retorno às novelas. "Se a vida possibilitar esse reencontro, adoraria fazer parte da novela da Manuela Dias no horário das 21h. A novela sempre esbarra no problema do tempo para mim. É muito longa. As novelas das 23h, com 80 capítulos, eu acho mais fácil caber na agenda", indica.

Ao analisar a sua trajetória de 39 anos, Selton faz um balanço positivo sobre sua versatilidade como ator, produtor, diretor e autor. "Eu sempre sonhei fazer isso que eu faço. E venho fazendo coisas bacanas e bonitas que me inspiram, que me movem, que me fazem crescer. Vem o diretor, autor, eu fui ampliando o meu leque criativo. Acaba que uma coisa alimenta a outra. Estou muito feliz com o que eu venho aprontando, sempre", vibra.

Galeria de Fotos

Saulo (Selton Mello), em 'Treze Dias Longe do Sol' Ramón Vasconcelos/TV Globo
Carolina Dieckmann e Selton Mello em 'Treze Dias Longe do Sol' Ramón Vasconcelos/TV Globo
Saulo (Selton Mello), em 'Treze Dias Longe do Sol' Ramón Vasconcelos/TV Globo
Saulo (Selton Mello), em 'Treze Dias Longe do Sol' Ramón Vasconcelos/TV Globo

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