Diogo Vilela faz Cauby novamente

Ator remonta a partir de amanhã musical sobre a vida do cantor, que chegou a saber que a peça voltaria

Por BRUNNA CONDINI

Diogo Vilela
Diogo Vilela - Dalton Valerio

Pela segunda vez na pele do cantor Cauby Peixoto - a primeira foi em 2006 - Diogo Vilela volta ao musical 'Cauby! Cauby! Uma Lembrança'. A peça tem texto de Flávio Marinho, e retorna amanhã no Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes. A nova montagem vai trazer o homem por trás do mito. E vai atualizar a história do cantor.

"Fiz essa peça há onze anos e resolvi retomá-la com uma homenagem. Fazia muitos musicais e as pessoas perguntavam quando 'Cauby' voltaria. Um dia falei pro Cauby que a peça voltaria. Ele adorou", lembra o ator."Mas ele morreu e ficamos arrasados, o Flavio (Marinho) e eu. Pela perda dele e por ele não ter podido ver", diz, sobre o cantor, morto em maio de 2016.

O texto revisitado, com direção dos próprios Diogo e Marinho, vai e volta no tempo. Remonta aos grandes sucessos musicais de Cauby, para contar as cenas da vida do artista. Tudo conduzido por uma entrevista da secretária pessoal do cantor, que o acompanhou por 16 anos. "A Nancy (secretária) faz a narrativa. Nesse espetáculo, que é contado por ela, aparece o cotidiano dele. A ação resulta nas músicas", esclarece.

ESPETÁCULO EMOCIONAL

Aos 60 anos e completando 48 de carreira, Diogo conta que o projeto já existia antes da morte do cantor. E que o texto sofreu adaptações de narrativa para atender à realidade de dois anos sem Cauby. "É um espetáculo emocional. É curioso fazê-lo tantos anos depois. Tenho mais maturidade. O teatro é sempre um exercício de redenção. É a prática da prática. Faço aula de canto há mais de 30 anos", comenta.

Visivelmente envolvido com a história, ele salienta: "Esse espetáculo é sobre um grande cantor e uma pessoa generosa, decente. A imagem dele fica no canto e também na palavra".

CAUBY PRESENTE

O espetáculo terá adereços do próprio cantor como parte do cenário. E uma peça do vestuário exposta na entrada do teatro. Tudo cedido especialmente para a homenagem. Animado com a estreia, o intérprete torce pela "bênção" da voz de timbre grave e aveludado. "Tomara que ele 'baixe' em mim. Penso nisso e peço todos os dias", diverte-se. "Nancy disse que sonhou com ele. E Cauby falou que estava felicíssimo com tudo. Tomara. Sou místico".

CARREIRA

Com vasto currículo no teatro, na TV e no cinema, o ator admite que o palco é mesmo sua praia. "Dividia meu tempo entre teatro e TV. A Globo aceitou isso gentilmente. Comecei a fazer mais os produtos de comédia", observa. "Gosto da TV, não preciso dela só para estar com popularidade. Tenho uma história. Mas quero fazer mais TV quando não estiver no teatro. Sou aquele velho que vai voltar e eles vão ser legais comigo. Devo isso ao público, fazer uma novela antes de ir. A novela é o Oscar do ator no Brasil", diz com humor.

AUTOR

Diogo revela um projeto bem especial para 2018: vai estrear como autor teatral de ficção. Anteriormente, Diogo havia escrito o texto de 'Ary Barroso - Do Princípio ao Fim', biografia musical do compositor.

"Tenho quatro peças escritas. Desde que minha mãe morreu, estudo muito, todos os tipos de dramaturgia. Comecei a escrever em 2011. E o primeiro texto, 'Tudo O Que Ela Sabe Sobre Mim', vai ser minha estreia como autor de textos inéditos, em São Paulo, esse ano", revela.

Galeria de Fotos

Diogo Vilela encarnando o cantor (D) sozinho e ao lado de Sabrina Korgut (abaixo) fotos Dalton Valerio
Diogo Vilela Dalton Valerio

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