Rocinha Criativa

Programa de capacitação ajuda moradores a alavancar o próprio negócio na comunidade

Por O Dia

Favela da Rocinha, Rio de Janeiro.
Favela da Rocinha, Rio de Janeiro. - Wallscover.com

Na Rua 1, na Cachopa e na Rua Nova, há três jovens que querem fazer a diferença na Rocinha. Eles são empreendedores. E apostam na própria ideia para alavancar negócios na comunidade. Pedro Henrique Vieira, Diego Cazul e Camilla Rodrigues tiveram seus projetos premiados no programa de capacitação da ONG Novos Líderes Empreendedores, que aconteceu entre os meses de agosto e dezembro, no Complexo Esportivo da Rocinha. No último dia do curso, que preparou um grupo de moradores para empreender, os alunos apresentaram seus modelos de negócios a empresários e apoiadores, que fizeram propostas de parceria. É o começo de novas histórias.

Pedro Henrique deixou o emprego numa empresa de telecomunicações em junho de 2017. Para ele, foi o momento certo para criar o próprio negócio. Formado em Administração, decidiu investir no ramo de alimentação e percebeu que, diante de tantas opções na Rocinha, não havia alternativas para uma alimentação saudável. Durantes as aulas, pôs a ideia no papel e surgiu a Duka Naturais. "Quero disseminar a cultura na comunidade de que é possível comer bem a preços acessíveis, e de forma rápida", diz Pedro, que produz em casa sucos, sanduíches e saladas que ele mesmo entrega aos clientes da comunidade.

Na Shark Tank, a rodada de negócios que aconteceu no último dia do curso, Pedro Henrique estabeleceu parceria com o proprietário de um hortifruti e com nutricionistas recém-formados, que farão levantamento dos nutrientes de cada produto da Duka Naturais. "As especificações são necessárias para entrarmos no iFood", planeja Pedro Henrique.

A Shark Tank também foi proveitosa para Camilla Rodrigues. Ela produz bolos e doces, conhecimento que adquiriu como funcionária de uma fábrica de brownie, e criou a Milla's Bolos durante as aulas. No encontro com possíveis investidores e parceiros, ela conseguiu apoio de um mentor que irá acompanhá-la no desenvolvimento da empresa. "É um empresário que tem um negócio semelhante ao meu e está me dando atalhos para eu crescer sem passar pelos mesmos problemas que ele enfrentou", diz Camilla.

Enquanto produz os bolos para entregar na Rocinha, Camilla se relaciona com a própria história. O cheiro que sai do forno, que hoje agrada seus filhos, a faz lembrar da mãe, que faleceu quando ela tinha 8 anos. "Ela tinha prazer em fazer os bolos para as festas de aniversário de vizinhos", lembra.

Diego Cazul atua em outro ramo. E quer disseminar no Rio, especialmente na Rocinha, a cultura voguing, estilo de dança performática comum em bailes LGBT, que surgiu nos EUA e foi popularizada pela cantora Madonna. Para tanto, quer fazer bombar a própria festa. "A ideia é organizar uma por mês. O curso me mostrou como fazer", diz Cazul.

NOVA TURMA EM MARÇO

O curso da ONG Novos Líderes Empreendedores, que recebe apoio da Ibmec, começou com 30 alunos. As aulas tiveram que ser interrompidas devido à disputa de facções pelo controle do tráfico de drogas. Dez alunos se formaram e terão acompanhamento de mentores. Nova turma será formada em março.

Galeria de Fotos

Pedro Henrique, Diego Cazul e Camilla Rodrigues receberam diploma e R$ 3 mil como prêmio Divulgação
Camilla Rodrigues montou a empresa Milla's Bolo: ela produz e os filhos fazem as entregas Divulgação
Diego Cazul e o grupo de bailarinos que participam das festas que ele promove: cultura voguing e performance LGBT Divulgação
Favela da Rocinha, Rio de Janeiro. Wallscover.com

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