Lista de clubes brasileiros campeões mundiais pode ganhar um novo integrante

Clube pretende acionar a Fifa pelo reconhecimento do título de torneio conquistado nos Estados Unidos

Por O Dia

Grafite no muro de Moça Bonita eterniza a conquista do Torneio de Nova Iorque de 1960. Acima, o técnico Tim com o troféu, que foi perdido pela diretoria do Bangu. Ao lado, reportagem do 'The New York Times' sobre a façanha
Grafite no muro de Moça Bonita eterniza a conquista do Torneio de Nova Iorque de 1960. Acima, o técnico Tim com o troféu, que foi perdido pela diretoria do Bangu. Ao lado, reportagem do 'The New York Times' sobre a façanha - Danillo Pedrosa

Rio - A seleta lista de clubes brasileiros campeões mundiais pode ganhar um integrante inusitado: o Bangu. O time da Zona Oeste pretende acionar a Fifa pelo reconhecimento do título do Torneio de Nova Iorque de 1960, à época chamado de Liga Internacional de Futebol. Se o pedido for aceito, os banguenses poderão se orgulhar de serem os primeiros campeões mundiais da história do futebol, ainda que o troféu tenha sido perdido inacreditavelmente.

A ideia do torneio era reunir os campeões das principais ligas do planeta, mas muitas equipes recusaram, como o Fluminense, que cedeu o lugar ao Bangu. Apesar disso, alguns dos clubes mais importantes da época participaram da disputa, como Bayern de Munique, Sporting de Lisboa e Estrela Vermelha, da extinta Iugoslávia.

O torneio era formado por dois grupos, cada um com seis times, em que o primeiro colocado iria direto para a final. Comandado pelo camisa 10 Ademir da Guia, então com apenas 18 anos, o Bangu fez uma campanha impecável e avançou à final com quatro vitórias e um empate: 3 a 2 no Rapid Viena, 2 a 0 no Estrela Vermelha, 0 a 0 com o IFK Norrköping e goleadas por 4 a 0 na Sampdoria e 5 a 1 no Sporting. O jogo do título foi contra o Kilmarnock, da Escócia. Vitória por 2 a 0 com dois gols do atacante Válter, que substituía o justamente o Divino, lesionado.

O elenco ainda contava com outros nomes de peso, como o goleiro Ubirajara Motta, que marcou época jogando por Botafogo e Flamengo, e o zagueiro Zózimo, bicampeão mundial com a Seleção Brasileira (1958 e 1962) e maior ídolo da história do clube.

Para Jorge Varela, presidente do Conselho Diretor do Bangu, esse é o título mais importante da história do clube. Ele acredita que o torneio é equivalente ao Mundial de Clubes disputado hoje.

"Era um modelo de torneio semelhante aos que existem hoje, organizado por um milionário que gostava de futebol e que foi disputado seis vezes, entre 1960 e 1965. É um time de menor investimento do Rio de Janeiro alçado a um título internacional. Faz parte da história. São os abnegados do futebol", disse o presidente.

Diante de inúmeros pedidos de torcedores para incluir uma estrela acima do escudo do clube, ele revelou que a camisa que time usará no Campeonato Carioca deste ano terá uma menção o título. A estrela, entretanto, só deve ser inclusa caso a Fifa reconheça a conquista.

O desafio agora é levar as provas necessárias à Fifa e a diretoria já está se movimentando."Vamos buscar informações em sites especializados e jornais de Nova Iorque época. Com base nisso, vamos montar um dossiê e encaminhá-lo à CBF, pedindo auxílio para que possamos acionar a Fifa", garante Varela.

Reportagem do estagiário Danillo Pedrosa sob a supervisão de Flávio Almeida

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