'Se houve um traidor, não fomos nós'

Eleito presidente, Campello abre fogo contra o ex-aliado Brant

Por O Dia

Alexandre Campello, novo presidente do Vasco
Alexandre Campello, novo presidente do Vasco - Paulo Fernandes/Vasco.com.br

Eleito presidente do Vasco na madrugada de ontem, na sede náutica da Lagoa, Alexandre Campello se defendeu dos ataques de Júlio Brant, que também concorria ao cargo máximo do clube e que chegou a falar em traição ao se referir à vitória do rival no Conselho Deliberativo.

"Se houve um traidor, não fomos nós. Foi a 'Sempre Vasco', que esqueceu o que foi acordado, com decisões tomadas sempre após serem discutidas por um conselho gestor. Fomos isolados", afirmou Campello, em entrevista coletiva, ontem à tarde, na Barra. Ele ainda completou: "Romperam com cinquenta e quatro conselheiros. Se não fosse eu, seria outro. Muito ruim ouvir 'traidor', ainda mais sendo oposição. Mas é um trabalho de mídia grande, tem uma militância grande na internet. São empresários por trás. Nossa campanha foi na base da vaquinha".

Campello fazia parte da chapa de Júlio Brant e era candidato a vice-geral. Mas, na véspera da reunião do Conselho Deliberativo, ele deixou o grupo. Ele, então, ganhou o apoio de aliados de Eurico Miranda e foi eleito presidente pelos conselheiros: Campello recebeu 154 votos e Brant, 88.

"Quem ganhou a eleição foi a união da oposição. Conseguimos trazer mais de 20 pontos percentuais. Fazemos parte da oposição desde sempre. Desde a eleição anterior. Existia resistência grande ao Brant", disse Campello.

O novo presidente ainda comentou o apoio de Eurico Miranda: "Estou há trinta anos no clube, conheço a maioria dos conselheiros. Se o Eurico surfou essa onda para devolver ao Júlio, não tenho nada com isso. Sou oposição, mas respeito os poderes do clube. Não houve acordo com Eurico. Não tem e não terá nenhum membro. Os gritos de 'Eurico'... existem vários euriquistas".

Campello também falou sobre a situação do time comandado por Zé Ricardo, que se prepara para o duelo contra o Universidad de Concecpión, no dia 31, no Chile, pela Libertadores: "Quero tranquilizar o treinador e o elenco. Queremos colocar os salários em dia. Temos um jogo importante da Libertadores. Vamos dar totais condições".

ELEIÇÃO POLÊMICA

Pela primeira vez na história, o Conselho Deliberativo não elegeu o presidente da chapa vencedora das urnas. A eleição entre os sócios foi marcada por polêmica. Ao todo, foram 475 votos na urna 7, destinada aos que se associaram ao clube nos dois últimos meses de 2015, onde um número acima da média de adesões chamou a atenção. A chapa de Eurico chegou a festejar a vitória contabilizando a urna 7, mas a chapa de Júlio Brant conseguiu a anulação dos votos polêmicos na Justiça e passou ser a vencedora. No entanto, uma reviravolta marcou a reunião do Conselho Deliberativo, na sexta-feira, na Lagoa, que definiu o novo presidente.

Ontem, Campello também criticou o fato de Júlio Brant ter dado uma entrevista já como o novo presidente do clube: "O Júlio, de forma abrupta, diz que vai sentar na cadeira da presidência, que já tem equipe montada. O que caiu muito mal entre os beneméritos. Não havia espaço para nós, decidimos não participar dessa farsa".

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