Viva a Folia de Reis da Baixada!

Grupos que pregam a manifestação cultural e religiosa resistem ao tempo e sobrevivem nos municípios

Por Aline Cavalcante

03/01/2018 - ESPACIAL BAXAIDA - Familia de duque de Caxias se preparando para desfilie de Folia de Reias. Foto: Luciano Belford / Agencia O Dia
03/01/2018 - ESPACIAL BAXAIDA - Familia de duque de Caxias se preparando para desfilie de Folia de Reias. Foto: Luciano Belford / Agencia O Dia - Luciano Belford / Agencia O Dia

Reisado, Terno de Reis ou Tiração de Reis. Seja qual for o nome, a tradicional Folia de Reis é símbolo de resistência, fé e de manifestação cultural. Os festejos acontecem no período de Natal até o dia de São Sebastião (20 de janeiro), passando pelo Dia de Reis, celebrado ontem. Presente em alguns municípios da Baixada, porém em número menor que no passado, a Folia de Reis de origem portuguesa está a todo vapor nesta época. Há registros de grupos em Queimados, Guapimirim, Mesquita e Duque de Caxias.

Essa cultura chegou ao Brasil no século 16, adotando o caráter religioso. Ela representa a viagem dos Três Reis Magos, Belchior, Gaspar e Baltazar até o local de nascimento de Jesus.

Chamados de foliões, os participantes da Folia de Reis começam as jornadas a 0h do Natal e continuam suas visitas às casas de amigos e parentes, considerado como encontro dos Magos com Jesus. "É cansativo, mas sentimos muita emoção", contou Leonor Sant'anna, 51, a nora da Flor do Oriente, uma das mais tradicionais folias de Caxias.

As visitas nas casas de folias, normalmente feitas em distâncias longas a pé, transmitem mensagens de paz e conforto, e dialogam com a jornada feita pelos Reis Magos, que segundo o mito, batiam nas portas para recolher mantimentos para seguir viagem. Desta forma, as Folias de Reis são frequentemente recompensadas, após a reza, com alimentos e ofertas em dinheiros anexados à bandeira em sinal de respeito e devoção aos santos. "Há mais de 30 anos recebo as folias na minha casa. Tenho muita fé e os recebo com alegria", afirmou Alice Gomes, 73, de Duque de Caxias.

Apesar da tradição, o movimento tem diminuindo. Segundo Rogério Silva de Moraes, mestre da Flor do Oriente, eram mais de 50 grupos, mas atualmente são três. "É uma pena. Só nós sabemos o que temos que fazer para manter a tradição viva", declarou o mestre, que chega a tirar dinheiro do próprio bolso para sair às ruas.

Em Mesquita são apenas dois grupos. "Não temos apoio do poder público e fica difícil se manter", apontou Sidney Gomes, 48, o mestre Dinho da Sete estrelas do Rosário de Maria.

O Iphan ainda não reconheceu as Folias de Reis como Patrimônio Cultural, o processo está em andamento e o número de folias existentes ainda não é conhecido. Em um levantamento da Uerj, cerca de 15 grupos foram registrados, porém a pesquisa catalogou apenas os maiores grupos.

FUNÇÕES

O mestre é o dono da Folia. O  contramestre é um cantador substituto do mestre. Alferes é o folião que conduz a bandeira. Eles representam os Três Reis Magos. E tem ainda o palhaço que dança com suas roupas chamativas e máscaras. Ele representa os soldados de Herodes. Já os figurantes, são os foliões uniformizados que tocam instrumentos.

Galeria de Fotos

Mesquita tem apenas dois grupos e, em Caxias, ainda existem três Divulgação
03/01/2018 - ESPACIAL BAXAIDA - Familia de duque de Caxias se preparando para desfilie de Folia de Reias. Foto: Luciano Belford / Agencia O Dia Luciano Belford / Agencia O Dia
Flor do Oriente tem 147 anos. A maioria dos integrantes são parentes do mestre Rogério FOTOS Luciano Belford

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